Revista "MUNDO e MISSÃO"

Teologia

O uso do altar
para a
Celebração Eucarística

por José Ariovaldo da Silva, ofm

Orientações litúrgico-pastorais

epois de termos visto os “quatro elementos fundamentais de um espaço litúrgico” (cf. Mundo e Missão n.º 84, julho/agosto 2004, p. n.º 34-35), abordamos especificamente o mais central deles, a saber, “o altar” (cf. Mundo e Missão n.º 85, setembro 2004, p. n.º 34-35), concentrando-nos, enfim, sobre “o sentido teológico-litúrgico do altar cristão” (cf. Mundo e Missão n.º 87, novembro 2004, p. n.º 34-35).


Catedral de Sant'Ana de Itapeva - SP (1988) Reforma geral em um edifício do século XVIII

Agora, dada a importância do altar cristão como “memória” do verdadeiro altar que é Cristo e, em Cristo, de todo cristão e cristã como altares espirituais, e sendo ele a mesa do sacrifício e do banquete pascal, sinal de Cristo e honra dos Mártires, resta-nos um desafio: como tratar do altar e como cuidar dele, de maneira tal que possa evocar, de verdade, o mistério de Cristo e da Igreja? O que fazer com o altar, de tal maneira que sua presença no espaço litúrgico realmente nos fale deste mistério?

Quanto à disposição do altar no espaço litúrgico

A Igreja hoje orienta que o altar seja posicionado dentro do espaço litúrgico, de maneira a ser “facilmente circundado” pelos seus ministros, e “nele se possa celebrar de frente para o povo, o que convém fazer em toda parte onde for possível” (Instrução Geral sobre o Missal Romano = IGMR, n.º 299). Em outras palavras, que os ministros possam se mover com folga e com calma em torno do altar. Evite-se, portanto, ao seu redor, tudo o que atrapalhe tal mobilidade: espaço acanhado demais, objetos, pessoas se acotovelando etc.

Exatamente para não distrair ninguém do mistério central da nossa fé (o sacrifício de Cristo) que ali se atualiza. Trata-se de garantir e favorecer ao máximo a centralidade do mistério presente no altar. E por que convém que “nele se possa celebrar de frente para povo”? Exatamente para que a dignidade do altar, em torno do qual vivenciamos a Páscoa, seja plenamente visível aos olhos de todos, facultando assim a todos o direito que lhes compete de participar, da melhor maneira possível, da celebração eucarística.

Além do mais, o altar “de frente para o povo” possibilita à assembléia perceber e sentir, realmente, a presença do Cristo presidindo a ação litúrgica na pessoa do sacerdote. Na verdade, como sabiamente nos orienta a Igreja, o altar deve ocupar “um lugar que seja, de fato, o centro para onde espontaneamente se volte a atenção de toda assembléia dos fiéis” (Ibid.). Isto significa que nada (por exemplo: imagem de santo, sacrário etc.) deve “roubar a cena” deste máximo centro de atenção, que é o altar. O normal é que o mesmo seja fixo e dedicado (consagrado).

A orientação é que “a mesa do altar fixo seja de pedra, e mesmo de pedra natural. Contudo, pode-se também usar outro material digno, sólido e esmeradamente trabalhado. Os pés ou a base de sustentação da mesa podem ser feitos de qualquer material, contanto que digno e sólido”. No caso do altar móvel, “pode ser construído de qualquer material nobre e sólido, condizente com o uso litúrgico e de acordo com as tradições e costumes das diversas regiões” (IGMR, n.º 301).

Como se vê, a Igreja orienta que o material usado para a construção do altar seja digno, nobre, sólido, esmeradamente trabalhado, condizente com o uso litúrgico e de acordo com a cultura local. A razão é evidente, pelo que já refletimos anteriormente.


Presbitério da catedral de Sant'Ana com peças litúrgicas e fresco, pintura e projeto de Claudio Pastro

E veja o que a Igreja ainda ensina: “Nas novas igrejas a serem construídas, convém erigir um só altar, que na assembléia dos fiéis signifique um só Cristo e uma só Eucaristia da Igreja.

Contudo, nas igrejas já construídas, quando o altar antigo estiver colocado de tal maneira que torne difícil a participação do povo, nem puder ser transferido sem detrimento de seu valor artístico, construa-se outro altar fixo com valor artístico e a ser devidamente dedicado; e somente nele se realizem as sagradas celebrações.

Para não distrair a atenção dos fiéis do novo altar, o altar antigo não seja ornado de modo especial” (IGMR, n.º 303). Em algumas antigas igrejas ainda se costuma enfeitar de tal maneira o “altar-mor”, que o verdadeiro altar (o altar da celebração eucarística) fica em segundo plano, comprometendo a sua centralidade!

Quanto à arrumação e enfeites do altar da celebração

A Igreja orienta que, “em reverência para com a celebração do memorial do Senhor e o banquete em que se comungam o seu Corpo e Sangue, ponha-se sobre o altar onde se celebra ao menos uma toalha de cor branca, que combine, por seu formato, tamanho e decoração, com a forma do mesmo altar” (IGMR, n.º 304). Ainda existe costume de cobrir o altar, de alto a baixo, com uma toalha, de modo que sua beleza (bem como seu sentido!) permanece escondida por trás das toalhas que o encobrem. O altar não foi feito para ser escondido.

Ainda mais quando artisticamente trabalhado. Ele é para ser visto e contemplado, como memorial dos mistérios que aí se celebram. Quanto ao uso de arranjos e flores, a Igreja pede que se observe a “moderação”. “No Tempo do Advento se ornamente o altar com flores com moderação tal que convenha à índole desse tempo, sem contudo antecipar aquela plena alegria do Natal do Senhor. No Tempo da Quaresma é proibido ornamentar com flores o altar. Excetuam-se, porém, o domingo ‘Laetare’ (IV Domingo da Quaresma), solenidades e festas”.

Em geral, “a ornamentação com flores seja sempre moderada e, ao invés de se dispor o ornamento sobre o altar, de preferência seja colocado junto a ele” (IGMR, n. 305). Na verdade, se Cristo é o altar verdadeiro e o altar representa Cristo em sua entrega por nós, é lógico que o mesmo nem precisa de enfeite. Ele já é belo por si mesmo. Por isso, a Igreja recomenda moderação, inclusive sugerindo que, “ao invés de se dispor o ornamento sobre o altar, de preferência seja colocado junto a ele”. Devemos fazer tudo para que o altar realmente apareça na sua inteireza.

O que colocar sobre o altar? Somente o que se requer para a celebração da Missa:

O Evangeliário (do início da celebração até a proclamação do Evangelho), o cálice com a patena, cibório... o corporal, o purificatório, a pala e o missal (tudo desde a apresentação das oferendas até a purificação dos vasos sagrados). Além disso, disponham-se, de modo discreto, os aparelhos que ajudam a amplificar a voz do sacerdote (cf. IGMR, n. 306). Exatamente para garantir a centralidade do mistério!

Sobre as velas: “Os castiçais requeridos pelas ações litúrgicas para manifestarem a reverência e o caráter festivo da celebração sejam colocados, como parecer melhor, sobre o altar, ou junto dele, levando em conta as proporções do altar e do presbitério, de modo a formarem um conjunto harmonioso e que não impeçam os fiéis de verem aquilo que se realiza ou que se coloca sobre o altar” (IGMR, n. 307).

Enfim, “haja também sobre o altar, ou perto dele, uma cruz com a imagem do Cristo crucificado, que seja bem visível para o povo reunido. Convém que tal cruz, que serve para recordar aos fiéis a paixão salutar do Senhor, permaneça junto ao altar também fora das celebrações litúrgicas” (IGMR, n. 308).

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