Revista "MUNDO e MISSÃO"

Religião - Judaísmo

Judaísmo: escolhidos pelo Eterno

Walter Santangelo

Revisão e atualização: Clara Costa Kopciowski

CAMINHANDO DIANTE DE DEUS

Por meio de Abraão, há quatro mil anos, Deus fez com o povo judeu uma Aliança que se per-petuará nos séculos.

História do povo Judeu

A história judaica inicia-se há quatro mil anos, com estas palavras de Deus dirigidas a Abraão: "Vá para a terra que eu vou te mostrar ... farei de ti uma grande nação ... e em ti serão ben-ditas todas as famílias da terra" (Gênesis 12, 1-3). E mais tarde: "Seja íntegro e caminhe diante de Deus".

Com essas palavras são firmadas as bases do judaísmo: a posse de uma terra, a unidade do povo e o dever não apenas de pôr em prática a vontade de Deus e de ser íntegro, mas também de ser o arauto, o seu porta-voz na difusão da sua palavra, caminhando diante dele para levar benção a toda a humanidade.

Nessa benção está implícita a promessa da época messiânica, quando, sobre a terra, reinarão a paz e a harmonia porque todos os homens terão aceito a palavra de Deus e porão em prática o amor e a justiça para com o próximo.

Deus estabelece com Abraão uma Aliança, prometendo que não o abandonará, nem sua família nem sua descendência; uma Aliança que se perpetuará de geração em geração através do ato da circuncisão, "sinal eterno de comunhão entre os judeus e Deus", sinal do pacto entre Deus e o seu povo.

Assim, Abraão deixa Ur, na Caldéia, para ir a uma terra cheia de incógnitas, a terra de Canaã, habitada por povos politeístas, apoiado numa promessa que não prevê nem riquezas nem previ-légios, mas que faz do povo judeu um povo "escolhido" por Deus para cumprir uma missão. Como narra a tradição, Abraão rejeita os ídolos e a prática imoral dos politeístas, para buscar um único Deus de amor e de justiça, criador de toda a humanidade. Só quando Abraão o pro-cura, Deus, que é sumamente justo e não escolhe ao acaso aquele que deve difundir a sua pala-vra, "desce" para encontrá-lo e confiar-lhe a missão.

Quando Abraão morreu, o desígnio divino, através de seus descendentes, continua a operar até mesmo durante o cativeiro no Egito. Deus, em virtude da Aliança, vela sobre seu povo e o liberta do cruel domínio dos faraós. Envia Moisés para livrar os judeus da escravidão e, sobre o Monte Sinai, renova com ele a Aliança estabelecida com Abraão. E todo o povo, num ímpe-to de confiança total, grita o seu consenso: "Nós faremos (o que Deus disse) e obedeceremos". Então, Deus deu a Moisés a Torah, o sinal da Aliança.

O povo se dispersa

Chegando à terra prometida, inicia-se a sucessão de êxodos forçados que levarão o povo judeu a dispersar-se por todo o mundo: inicialmente, no século VIII a.C., os assírios conduziram à escravidão dez das doze tribos de Israel (desse primeiro exílio, provavelmente, originaram-se as comunidades do extremo Oriente, da China e da Índia).

Dois séculos mais tarde, é a vez dos restantes, que foram mantidos presos na Babilônia: o Templo de Jerusalém, onde se guarda a Arca da Aliança com as Tábuas de Moisés foi destruí-do.

Contudo, exatamente esse será um dos períodos mais fecundos para a vida judaica. O povo deve encontrar o modo de viver a Aliança sem Templo, sem terra. Assim nasce o judaísmo, que não é apenas uma religião, mas, sobretudo, um modo de viver a centralidade de Deus, graças à oração, ao estudo, à Torá, à observância do sábado e de outras datas sagradas.

Sem o Templo, passa-se a uma vida religiosa baseada apenas na Palavra de Deus: o culto na sinagoga substitui os ritos sacrificiais do templo, o rabino (mestre) toma o lugar do sacerdote.

Cinqüenta anos depois (538 a.C), Ciro, submetendo o império babilônico, permite que os judeus voltem a seu país. Muitos, porém, permanecem na Babilônia: inicia-se, assim, o fenôme-no da diáspora (termo grego que significa "dispersão" e indica o fenômeno histórico que le-vou os judeus a se dispersaram em todo o mundo). O Templo foi reconstruído, mas os séculos seguintes ainda vêem os judeus sucumbir sob os poderosos exércitos persa e macedônio (gre-gos).

Nessa tremenda crise, em 168 a.C, em Modin, o sacerdote Matatias dá o sinal de revolta con-tra o rei da Síria, Antíoco IV, Epífanes, que procurava helenizar a Judéia. Refugiando-se entre as montanhas, reúne em torno de si aqueles que não aceitam o novo estado das coisas.

Depois de sua morte, a guerrilha passa a ser dirigida por seu filho Judá, chamado macabeu, que provavelmente significa "martelo" (esse nome, depois, foi indevidamente estendido a toda a família). A revolta dos macabeus atravessa fases alternadas até que, com o último filho de Ma-tatias, Jônatas, a Judéia reconquista sua independência.

Também nos anos seguintes, o poder permanece nas mãos da família dos macabeus que fun-dam a dinastia dos asmoneus, até a intervenção de Roma em 63 a.C. A independência, então, está definitivamente perdida e a Judéia torna-se província romana, apesar de duas tentativas de revolta: em 70 d.C., as legiões romanas conquistam Jerusalém e destróem o Templo..
A dispersão, intensificada com a conquista romana, leva a um fortalecimento das comunidades da diáspora, as quais, em contato com o helenismo e, mais tarde com o cristianismo, tendem a seguir uma linha religiosa menos rigorosa. Mas é o contínuo avanço do cristianismo que de-termina, num breve período de tempo, o prevalecimento da linha mais "ortodoxa" que permite conservar intactas as próprias tradições religiosas.

Os séculos da diáspora

Os séculos da diáspora (a partir de VI d.C) caracterizam-se por uma relativa paz para as co-munidades que vivem nos países conquistados pelos muçulmanos. Na verdade, a não ser al-guns casos graves e esporádicos, as relações com a civilização islâmica foram, em geral, boas. As próprias comunidades judaicas partilharam o apogeu e a decadência do mundo muçulmano. No mundo cristão, as reações foram diferentes.

Com o ano mil, declina definitivamente as escolas babilônica e palestina e surgem na Europa, dois novos pólos de cultura judaica. O primeiro grande centro forma-se na Espanha que se torna o berço do judaísmo sefardita e de toda uma herança cultural e espiritual que as comu-nidades sefarditas então possuem. Essa idade áurea do judaismo sefardita que vai, aproxima-damente, até 1942, ano em que os judeus são expulsos da Espanha, produz obras notáveis e revela homens excepcionais. O segundo grande centro surge na Renania (Alemanha), que se torna o berço do judaísmo ashkenazim e caracteriza-se pela prosperidade dos estudos rabíni-cos. Da Renania vai se estender a Alemanha e ao leste da França para chegar, no fim da Idade Média, à Europa centro-oriental, particularmente na Polônia.

Em 1096, ano da primeira cruzada, inicia-se para os judeus um período muito difícil: persegui-ções, privação dos direitos civis mais elementares, expulsões e massacres contínuos. A barreira religiosa, por causa da estreita conexão entre religioso e civil, traduz-se numa barreira social, administrativa e econômica, influenciando sobre o papel do judeu na sociedade da época. Um exemplo: a proibição aos cristãos de emprestar dinheiro a juros faz com que os judeus se espe-cializem nas atividades econômica e mercantil.

Por isso se, de um lado, os judeus são apreciados por sua indiscutível habilidade no campo econômico, de outro, são obrigados a compensar tudo o que para os outros é reconhecido como direito (direito de residência, de estabelecer-se numa parte da cidade, de exercer um tipo de comércio, etc).

Nascem os guetos

Do que acima foi dito é fácil compreender como a posição dos judeus fica instável: muitas ve-zes foram escorraçados de suas casas sem nenhum motivo e seus bens confiscados. Por causa dessa precariedade crônica, os judeus tentam reforçar os laços culturais, religiosos e comunitá-rios, criando bairros separados em que possam se sentir mais unidos e prontos a defender-se de todo tipo de perigo e de provocação: nascem assim os guetos. Mas, outra vez, o poder político e religioso transforma uma escolha voluntária em uma imposição que faz com que o gueto torne-se uma prisão socialmente controlável, difícil de ser evitada.

Essa vida penosa e humilhante dura por muitos séculos. Só com o Iluminismo e a Revolução Francesa ocorre, ao menos formalmente, a equiparação dos judeus aos outros cidadãos.

Nasce o sionismo

A saída dos judeus do gueto produz, no seio do judaísmo, fenômenos interessantes: muitos judeus, obtendo finalmente os direitos civis, procuram todos os meios para integrar-se. Por isso, no século XIX, muitos judeus participaram ativamente de vários movimentos de indepen-dência nacional. Todavia, se, de um lado, essa assimilação provoca, muitas vezes, o abandono de seu patrimônio tradicional, de outro, não acaba com as discriminações e perseguições. É o caso da Rússia, onde os pogrom ou matança de judeus empurram as massas à emigração, es-pecialmente para os Estados Unidos e contribuem para o nascimento do sionismo.

Em 1897, realiza-se na Basiléia o primeiro Congresso Sionístico Mundial, que funda um mo-vimento político, organizado para a criação de um estado nacional judeu. Vinte anos depois, quando já muitos colonos judeus provenientes da Rússia, Polônia e Lituânia, começaram a comprar e preparar as terras incultas da Palestina, a Declaração Balfour (1917), na qual a In-glaterra se empenha para instituir na Palestina uma sede nacional para os judeus, torna juridi-camente legítima sua aspiração de ter um estado (um "lar judeu", ou national home).

Paralelamente à consolidação numérica e política da comunidade judaica na Palestina (jishuv), na Europa, aparecem sinais trágicos às vésperas da Segunda Guerra Mundial.

O drama da Shoah

Com a difusão da tempestade nazista, assiste-se a uma verdadeira caça aos judeus, da qual poucos conseguem escapar. Ao final da guerra, seis milhões de judeus, entre homens, mulheres e crianças, foram exterminados nos campos de concentração. Um período que passou triste-mente para a história com o nome de Shoah (extermínio).

Essa dramática experiência com o conseqüente complexo de culpa das grandes potências e a constatação de todo o trabalho desenvolvido pelos pioneiros judeus para bonificar e cultivar os terrenos antes áridos e improdutivos, levam à declaração da ONU de 29 de novembro de 1947, com a qual se criam, na Palestina, dois Estados: um árabe e um judeu. No dia seguinte, os árabes, que consideraram absurda essa decisão, rejeitam-na e desencadeiam a guerra.

Em 14 de maio de 1948, David ben Gurion, logo no começo da guerra, declara, em Tel Aviv, o nascimento do Estado de Israel.

Características fundamentais

Até aqui, vimos como os judeus têm testemunhado sua fidelidade à Torá, através de quatro mil anos de história. Isso foi possível, conservando intactas suas tradições e, sobretudo, mantendo uma confiança inabalável na própria Torá.

Vejamos agora, brevemente, em que consiste a fé do judeu e como ele a testemunha na vida.

Existe Deus, existe um povo, existe uma Aliança: a história desses três elementos é a história dos pressupostos doutrinais do judaísmo.

O Deus da fé judaica é um Deus que falou a Israel através de seus profetas. É o Deus Único que, além de ser transcendente, é também imanente, sendo parte ativa na história e nos fatos da humanidade.

Deus estabeleceu um pacto com Israel que se concluiu, parcialmente, com a entrega da Torá. Com esse gesto, Deus indica ao povo judeu o meio concreto para ser-lhe fiel e aquilo que ele deseja de seu povo. Mas, a eleição de Israel e o dom da Torá estão sempre ligados à posse da terra. A condição para tal posse é a fidelidade à Torá.

Eis por que se chama "terra prometida": promessa "em troca da fidelidade".

Por isso a vida tende a desenvolver-se no estudo e na prática da Torá: com esse ensinamento, profundamente orientado para a ação, exclui-se a idéia de mistério e de dogma; o judaísmo é uma lei de vida, mais do que uma especulação filosófica sobre um dado revelado.

Lei de vida que se manifesta no estudo e na observância que regulam o comportamento religi-oso do judeu.

Uma lei de vida

No que diz respeito à moral judaica, há uma concepção profundamente otimista e unitária do homem, porque Deus só pode tê-lo criado livre e responsável. Mas a relação homem-Deus pode ser rompida: isso é o pecado, que é visto como traição, e a única condição que se impõe para o perdão é a conversão do coração (ou Teshuva, o retorno a Deus).

São bem interessantes os capítulos da moral judaica referentes à família, ao matrimônio, ao papel da mulher na sociedade. O que, porém, distingue a moral judaica é a sede e fome de justiça que satisfaça as exigências do homem.

Outro elemento essencial no judaísmo é a esperança. Para os judeus, crer na vinda do Messias é esperar que virá um tempo chamado em hebraico "os dias do Messias", em que reinarão a paz, a justiça e a fraternidade. Esses dias serão uma benção para todas as nações. Jerusalém será o centro espiritual do universo, no qual se erguerá "uma casa de oração para todas as na-ções" (Isaías 56,7).

Então, cessarão todas as formas de idolatria e, "naqueles dias, o Serhor será o único Deus e só o seu nome será invocado" (cf. Zacarias 14,9).

O estudo da Torá é o primeiro de todos os mandamentos e vem até antes da oração. São os pais que, principalmente, têm o dever de ensinar a Torá aos filhos.

Todo Israel - tanto os ricos como os pobres - devia "ocupar-se da Torá" e estudá-la durante toda a vida.

Para essa atividade, o dia privilegiado é o sábado.

Os preceitos religiosos (ou mizvot) são, no total, 613, dos quais 248 positivos e 365 negativos e provêm da Torá escrita e oral, sendo seu objetivo a santificação da vida até em suas manifes-tações materiais. Exemplo disso é a Mezuzá, um estojo que é aplicado nos batentes das portas e que contém uma faixa de pergaminho sobre o qual estão escritos trechos da Torá, simboli-zando a santificação da casa. De fato, a Mezuzá lembra ao judeu os próprios deveres seja ao "entrar" em casa, seja ao "sair"dela.

A vida religiosa

Para facilitar esta exposição, dividimos a vida religiosa do judeu em três partes: as etapas da vida, as manifestações religiosas cotidianas e as várias festas do ano.

1 - As etapas da vida

O nascimento e a circuncisão: o nascimento de uma criança é uma grande alegria e represen-ta também uma obediência a um mandamento. Se a criança é um menino, ele é circuncidado no oitavo após o nascimento. Esse sinal na carne faz com que ele entre na Aliança de Abraão e na comunidade de Israel.

A cerimônia do Bar Mitsvah: aos 13 anos, o rapaz entra na maioridade religiosa. A partir desse momento, o judeu torna-se membro da comunidade e está sujeito aos direitos e deveres religiosos e sociais derivados da Torá.

O casamento: também o casamento é um Mitsvah (mandamento) em resposta à palavra de Deus: "Não é bom que o homem esteja só" (Genêsis 2,18). Os noivos são colocados sob um dossel, símbolo de seu lar. Depois da leitura do ato de casamento, recitam-se as sete bençãos nupciais. Depois o esposo quebra um copo, no qual bebeu com a esposa, lembrando a destrui-ção do Templo.

A morte: porque Deus é o Senhor da vida e da morte, é com uma benção que se anuncia o falecimento: "Bendito seja o Juiz da Verdade!". Diante do túmulo, recita-se o Kaddish, trecho em que se proclama a santidade do Nome de Deus. A partir daí, observa-se uma semana de luto fechado. Para a primeira refeição depois do sepultamento, deve-se preparar para os paren-tes de luto um ovo cozido. O ovo é o símbolo da vida: é redondo, não tem portanto um ponto inicial ou final, assim como a vida que, depois da morte da pessoa, continua e deve continuar através de seus descendentes. Isso lembra aos que ficaram que a morte, mesmo com o maior respeito e com a lembrança do falecido, não deve representar um momento de ruptura e de desespero total, porque a vida continua neste mundo e na eternidade.

2 - As manifestações religiosas cotidianas

A liturgia cotidiana do judeu compreende três orações: a da noite, a da manhã e a da tarde. O objetivo da oração é renovar a fé com um ato que confirma a identidade judaica e a esperança em Deus.
A oração pode ser feita em particular ou em público. Entre as manifestações religiosas inclui-se o sábado, o dia mais santo da semana e dedicado a Deus e à família. Observar o sábado é re-cordar-se, de semana em semana, que o mundo pertence a Deus. com seu trabalho, o homem é um administrador do mundo, não seu proprietário, assim, ao menos uma vez por semana, ele deve voltar seu pensamento exclusivamente a Deus.
A alegria deve transparecer em seu rosto, porque o judeu está seguro com Deus, com a fideli-dade deste à Aliança.

3- Os eventos anuais

As festas judaicas acontecem no ritmo das estações, principalmente na primavera e no outono, porque seu valor é histórico e agrícola, além de religioso. Seu início é sempre ao entardecer porque, no livro do Gênesis está escrito que, ao final de cada dia da criação, "foi noite e foi manhã", e a noite foi nomeada antes da manhã. A grosso modo, pode-se dividir as festas em três grupos, sendo os dois primeiros de origem bíblica e o terceiro de origem rabínica.

a) As três festas de peregrinação

A história judaica é singular: Abraão é o fundador da estirpe, mas até o momento em que José chama seus irmãos e seu pai para o Egito, no tempo da carestia, trata-se apenas de uma famí-lia. O povo forma -se, portanto, no Egito, na escravidão, unido apenas pela fé em um Deus único e pela esperança de um retorno à terra de Canaã.
Quando Deus, com milagres e prodígios - entre eles as dez pragas que atingem o Egito e a abertura do Mar Vermelho - conduz seu povo para longe da terra da escravidão (e é a festa de Pesach, Páscoa), vemos esse mesmo povo finalmente livre, mas ainda sem uma terra e sem leis.
As leis - os 10 mandamentos e a Torá - serão entregues a Moisés durante a permanência do povo no deserto: esse evento é comemorado na festa de Shavvoth (Pentecostes), ou festas das semanas, que se celebra sete semanas após Pesach. É muito significativo que a conquista da liberdade coincida com a entrega da Lei. Não existe, realmente, liberdade sem uma lei que im-peça que essa se transforme em prepotência e arbítrio.
Os judeus que saíram do Egito deverão peregrinar por 40 anos no deserto, vivendo em tendas, antes de chegar à Terra Prometida, para que o povo esteja pronto e amadurecido para entrar na posse de uma terra na qual possa aplicar as leis. Esse é o significado da Festa das Tendas (Sukkoth). Hoje se constróem tendas com o teto coberto de grandes folhas, colocadas de modo que se possa ver o céu, para que o judeu não se esqueça nunca da presença de Deus junto dele. Na sinagoga, lê-se o Hallel, grupo de salmos de louvor e de agradecimento, e agita-se o lulav, um pequeno ramalhete composto de ramos de palmeira, chorão e mirto, tendo em mão tam-bém um fruto do cedro.
As festas de Pesach, de Shavuot e de Sukkoth estão ligadas entre si pelo fio comum da história de um dos períodos mais importantes da vida do povo judeu. Têm, portanto, um lado religioso e nacional, mas também, um agrícola porque correspondem aos três períodos do ano: primave-ra (Pesach), verão (Shavuot, festa das primícias) e outono (Sukkoth, festa da colheita). Como os frutos da terra são o resultado da operosidade do homem, mas devem-se, sobretudo, à be-nevolência divina que cobre os homens com os seus dons, era dever, nessas três festas, ir ao Templo de Jerusalém e, na Shavvoth, oferecer as primícias.

b) As festas solenes

Início do ano judaico (Rosh Ha-Shaná). É a primeira festa do ano, celebrada no outono. Lembra o momento em que teve início a criação do mundo. Nesse dia, cada um é convidado a refletir sobre o ano transcorrido e deixar o pecado para voltar-se a Deus, Criador, Juiz, mas, sobretudo Pai, que acolhe que faz Teshuvah, isto é, o retorno a ele. Na sinagoga, prevalece a cor branca, símbolo da penitência e da pureza. Toca-se o shofar (chifre de carneiro) repetidas vezes para incitar ao arrependimento. Nesses dias, Deus julga as ações feitas por todos as cria-turas no ano passado e decide, por conseguinte, seu destino para o ano que vem. Mas, nos dez dias de penitência, que vão do Ano Novo ao Kippur, o arrependimento do homem pode modi-ficar a sentença do divino Juiz.

Expiação (Kippur). Dez dias após o Ano Novo, é o dia do Kippur. A liturgia da sinagoga, que dura todo o dia, contém a repetida confissão dos pecados, as súplicas para obter a misericórdia de Deus e a narrativa poética dos ritos que o Sumo Sacerdote celebrava no templo nesse dia. Durante 25 horas, observa-se um rigoroso jejum.
A confissão, que enumera praticamente todos os pecados que o homem pode cometer do ho-micídio ao furto, à calúnia, à traição, tem sobretudo o objetivo de chamar novamente o povo judeu ao senso de responsabilidade para com a sociedade em que vive. Isso não significa que cada indivíduo tenha cometido tais e tantos erros, mas se no mundo são cometidos pecados de tamanha quantidade, é porque não são aplicadas a justiça, a compreensão, a ajuda mútua que impediriam o estabelecimento de situações de desespero e de sofrimento tão trágicas que con-duzem ao pecado.

c) As festas menores

Festa das luzes ou da dedicação (Chanukkah). É celebrada em dezembro e recorda a purifi-cação do templo de Jerusalém, depois da vitória dos Macabeus sobre os assírios (séc.II a.C).

Festa das sortes (Purim). É celebrada entre fevereiro e março e lembra a salvação do povo judeu que, morando quase inteiro no império persa, foi atingido por um édito de morte emitido pelo rei. Nessa festa, presta-se homenagem às figuras de Ester e Mardoqueu que salvaram o povo.

A oração para o judeu

Oração particular

Quando o judeu reza, mantém a cabeça coberta e se reveste com um xale de oração (tallith), que tem muitas franjas nos quatro ângulos (símbolo dos 613 preceitos que devem ser observa-dos). No braço direito e na testa traz os filactérios, pequenas caixas de pergaminho nas quais são enfiados rolinhos sobre os quais estão escritos trechos importantes da Bíblia.

Oração pública

A oração pública ocorre na sinagoga. Os ofícios são presididos pelo rabino, mestre encarrega-do do ensino e da pregação, e dirigidos pelo ministro oficiante (hazan). Nem um nem outro têm caráter sacerdotal: o primeiro detém uma autoridade magisterial e jurídica, enquanto que o segundo pode ser qualquer judeu com mais de 13 anos, que saiba ler corretamente o hebraico e que seja, possivelmente, afinado.
Para que se possa realizar a oração pública é necessário a presença de no mínimo dez homens religiosamente adultos. O ofício tem três pontos básicos: o "Shema Israel" (literalmente: "Escuta, Israel!", início da oração fundamental do judaísmo: "Escuta, Israel, o Senhor nosso Deus, o Se-nhor é único"), a prece das dezoito bençãos e a leitura da Torah.

Sábado (Shabbath)

Há dois conceitos para o sábado: o repouso e a união mística familiar. No sábado é proibido realizar qualquer tipo de trabalho e acender o fogo: a comida, portanto, deve ser preparado no dia anterior, antes do pôr-do-sol, para que as mulheres possam aproveitar a festa.
A celebração do sábado reveste-se de um caráter de santidade particular: os místicos conside-ram-no uma experiência messiânica e uma representação na terra do Reino de Deus, portanto, deve ser celebrado com solenidade e com espírito alegre. Apesar de repetir-se a cada semana, é considerado o evento mais importante do calendário judaico.
Na sexta-feira, uma hora antes de cair o sol, a mãe de família acende duas velas, uma do sába-do, recitando a benção correspondente. A luz representa a Shekinah, a presença divina que ilumina, no dia santo, a casa do judeu. Depois da função na sinagoga, toda a família se reúne ao redor da mesa de jantar, cuidadosamente preparada, sobre a qual são colocados dois halloth (pães especialmente preparados pela mãe, lembrando o fato de que, no deserto, na sexta-feira, recolhia-se uma dupla ração de maná para não o fazer no sábado) e o copo de prata para a cerimônia de consagração com o vinho do sábado (Kiddush). O pai recita o Kiddush e a ben-ção do pão, antes de começar o jantar.

Páscoa (Pesach)

Inicia-se no dia 15 de nissan (março-abril) e dura 7 dias em Israel e 8 na diáspora. É, para os judeus, uma data especialmente significativa: marca seu nascimento como povo livre, depois da escravidão do Egito. É uma data de tanta importância que todo judeu, durante a festa, "revive" a saída do Egito como se ele mesmo tivesse sido libertado.
Durante todo o período é proibido alimentar-se com alimentos fermentados, não apenas por-que na época da saída do Egito, devido à pressa, as mulheres não tinham tempo de deixar o pão crescer, mas também como ensinamento dirigido ao povo que, no momento do seu encon-tro com a liberdade, deve esquecer todas as mágoas que "fermentam" no seu coração. A mu-lher judia, durante o período que antecede a festa, elimina, com cuidadosa limpeza, todos os resíduos de alimento fermentado. Nos dias de Pesach, os judeus, no lugar do pão, comem os "ázimos" , espécie de mistura de água e farinha.
Na primeira noite de festa, toda a família se reúne para celebrar o Seder. A palavra significa "ordem" porque toda a cerimônia segue um ritual preestabelecido. Sobre a mesa é posto um cesto que contém três pães ázimos, representando o povo de Israel; uma perna de cordeiro, recordando o fato de que o anjo da morte, que matou os primogênitos dos egípcios, "passou além" (e esse é o significado da palavra Pesach) das casas dos judeus; ervas amargas, lem-brando a amargura da escravidão; o Haroseth, feita de frutas que lembra, pelo seu aspecto, a argamassa que os judeus escravos deviam preparar para as construções do faraó; enfim, salsão e ovos cozidos. Esses últimos devem ser comidos especialmente pelos primogênitos homens, em sinal de luto pela morte dos primogênitos egípcios.
Depois é lida a Haggadah (conto), que narra os milagres e os prodígios que Deus realizou, para tirar os judeus do Egito. Finalmente, come-se a ceia, procedida e seguida pelo Hallel (Salmos 113-118), cantos de louvor e de santifição a Deus. Tudo termina com hinos e canta-dos por todos os comensais.
O Seder termina com as palavras: "Hoje aqui, escravos, no ano próximo, em Jerusalém, li-vres", para evidenciar o laço que uniu o povo a sua terra, durante os longos anos da diáspora. Uma característica do Seder é o seu aspecto didático. De fato, toda a cerimônia representa um ensino dirigido aos mais jovens que, segundo o ritual, fazem algumas perguntas aos adultos que, ao responder, expõem a história do nascimento do povo e o valor da sua cultura.

Nos Estados Unidos e nos países do Leste

Atualmente, há no mundo 14 milhões de judeus, destribuídos em 105 países. Examinaremos particularmente a situação do judaísmo americano e dos Estados formados com a dissolução da União Soviética.

O judaísmo americano

Os judeus dos Estados Unidos são uma das minorias mais integradas socialmente. A história da imigração judaica nos Estados Unidos inicia-se em 1652, quando os judeus sefarditas, expulsos da Espanha e refugiados na Holanda, partiram para o Novo Mundo e precisamente para Nova York, então colônia holandesa.
No fim do século XVIII, outras comunidades ashkenazim vêm aumentar a pequena comunida-de judaica da costa atlântica.
Em 1880, dois milhões de judeus chegam à Rússia e escolhem viver de novo no gueto, falando exclusivamente iídiche, para ambientar-se enquanto não se iniciam na nova sociedade. Das aldeias agrícolas russas veio com esses imigrantes uma tradição e uma fé muito firmes.

Os judeus no Leste

Alguns historiadoress dizem que a chegada dos primeiros judeus às regiões do sul da Rússia remonta aos anos 500 - 400 a.C. É, porém com Ivan, o terrível (séc.XVI) que se inicia uma seqüência interminável de pogrom que os leva, até o fim do império zarista, a uma condição social e política sem esperança. Isso explica a participação nos primeiros movimentos socialis-tas (1897: criação do Bund, uma união operária; sionismo socialista) e sua adesão à Revolução de Outubro. Nos primeiros anos do novo regime, organizam-se escolas judaicas e publicam-se livros e jornais em iídiche.
Com a época de Stalin, usa-se o anti-semitismo para combater a intellighentia revolucionária contrária à linha política do partido e para distrair a atenção de parte das massas a respeito de determinados problemas, insucessos e demoras da revolução comunista.
Após a guerra (1956), parece que se entrevê uma autonomia mais ampla, contudo, as autori-dades soviéticas continuam a negar aos judeus o direito de deixar o país e impõem sérias limi-tações no campo da educação, da cultura e da religião.
Com a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, o nascimento da comunida-de dos Estados independentes e a liberação dos vistos de imigração, um grande número de judeus voltou para Israel e muitos retornos ainda são previstos.

Odiados e perseguidos

O ódio pelos judeus é anterior ao cristianismo; esses, muitas vezes, foram acusados por recusa-rem a religião e os costumes pagãos, por odiarem o gênero humano. Quando a religião cristã afirmou-se também oficialmente, desenvolvendo a partir dos próprios princípios do judaísmo, os judeus foram considerados como povo rejeitado por Deus e responsáveis pela morte de Jesus.
Perseguidos por essa infame calúnia, os judeus foram constrangidos a sofrer massacres, expul-sões, extorsões, banimentos... Quando ocorria uma epidemia, carestia ou qualquer outra des-graça, os judeus, quase sempre, eram considerados os responsáveis. Outras acusações eram: manobras financeiras e econômicas, profanação da hóstia sagrada e execução de rituais crimi-nosos para celebrar suas festas.
Perseguições e discriminações continuaram até os nossos dias. Ainda que privados de muitas liberdades, oprimidos e desprezados, os judeus conseguiram sobreviver, permanecer unidos e manter a própria identidade. Mesmo na vida do gueto produziram um pensamento místico e filosófico, criaram sua própria literatura, música e várias manifestações em muitos outros cam-pos da arte.
Muitas nações ordenaram a expulsão dos judeus: em 1290, a Inglaterra; em 1384, a França; em 1453, a Áustria; em 1492, a Espanha, etc.
Uma das primeiras leis voltadas pelo novo governo israelense, em 1950, foi a Lei do Retorno, que estabelece que todo judeu que chega a Israel, automaticamente, adquire a cidadania israe-lense, com todos os direitos.

Pequeno dicionário judaico

O Templo

Terminada a vida nômade no deserto, durante a qual a presença de Deus era indicada pela ten-da do convênio, Salomão, filho de Davi, mandou construir, em Jerusalém, um Templo estável. Ali era guardada a Arca da Aliança, pequena caixa que continha as Tábuas da Lei entregues a Moisés.

A Torah

Os escribas judeus dividiram a Bíblia judaica (para os cristãos, Antigo Testamento) em três grupos:

a) cinco livros da lei (Torah, isto é, guia, ensinamento) ou de Moisés, formando o Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio);

b) os profetas (nebiim) subdivididos em "profetas anteriores" (Josué, Juízes, Samuel e Reis) e "profetas posteriores" (Isaías, Jeremias, Esequiel e o "livro dos doze profetas" menores);

c) os escritos (Ketubim) dos quais fazem parte os livros dos Salmos, Jó, Provérbios e "cinco volumes festivos", lidos em diferentes festividades (cântico dos cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester), como também os livros de Daniel, Esdras e Crônicas.
A Torá é o livro sagrado, é palavra de Deus; as outras duas partes são um complemento. Essa compreende a história da criação do mundo e do nascimento do povo judeu, mas, sobretudo as leis, práticas ou morais, que todo o povo deve seguir para ser digno da missão: as leis morais devem ser difundidas e ensinadas a toda a humanidade.

Os profetas

Os profetas marcam uma etapa determinante e extraordinariamente significativa na vida do povo de Israel e da humanidade e representam um fenômeno único na história do mundo.
Todos os povos tiveram seus profetas, seus literatos; Israel teve profetas que, inspirados dire-tamente por Deus, não só deixaram páginas de grande beleza literária, mas vivificaram e refor-çaram a mensagem que Deus havia dado ao seu povo e a todos os povos, chamando todos a um comportamento melhor. As palavras dos profetas são dirigidas ao povo judeu, mas têm um caráter universal. De nenhum modo, podemos comparar as "previsões" dos profetas às dos magos e taumaturgos de qualquer época. O profeta é, na verdade, aquele que "prevê" as con-seqüências de um determinado comportamento e que não teme dizer a sua reprovação aos reis e poderosos.

A sinagoga

A sinagoga é a instituição mais importante da vida religiosa e civil judaica. Em hebraico cha-ma-se beth hakenesset (casa de reunião). Nasce durante o exílio babilônico e é o lugar onde os judeus se reúnem para estudar, rezar e estar juntos. A estrutura arquitetônica é particular. O exterior reflete, geralmente, a situação do judaísmo em relação às outras religiões locais (há uma tendência a fazer o edifício muito semelhante às casas circundantes); o interior é retangu-lar e caracterizado pela ausência completa de representações humanas e pela presença de um lugar reservado só às mulheres.

  • Sefarditas: judeus provenientes de países latinos e dos territórios do império otomano para onde se dirigiam após a expulsão da Espanha. Muitos deles falam um dialeto de origem espa-nhola, o ladino, uma mistura de hebraico e espanhol.
  • Ashkenazim: nome dado aos judeus do Norte e do Leste europeu, que têm como língua o iídiche, cuja base é o alto-alemão do séc. XIV, acrescido de elementos hebraicos e eslavos.

A língua hebraica

A partir de 1948, a nova nação israelense era composta por gente vinda de mais de cem países diferentes. Um dos primeiros problemas que o Movimento Sionista teve que enfrentar foi o da língua. Descartou-se a hipótese inicial de adotar o inglês ou uma das línguas mais difundidas entre os imigrantes (o alemão, por exemplo) e decidiu-se, também com o apoio de escritores e pessoas que acreditavam na vitalidade da cultura judaica, fazer renascer a língua das Escrituras e da tradição. Contudo, havia a dificuldade de aprender a língua por parte dos imigrantes. Para facilitar o aprendizado, o governo instituiu escolas especiais em que se pode aprender ao me-nos os rudimentos da nova língua. Hoje, o hebraico é a língua oficial do Estado, falado por mais de 90% dos judeus israelenses.

Os judeus no mundo

Segundo as estimativas de 1991, há cerca de 14 milhões de judeus em todo mundo assim divi-didos:

  • Israel: 3.717.000
  • América: 6.278.000, estando 64% destes nos E.U.A
  • Europa: 2.307.000, sendo que 500 mil estão na França

Tentando sistematizar as crenças judaicas, o teólogo e filósofo Maimônides, no século XII, estabeleceu uma lista com treze "artigos de fé":

  1. Deus é o Criador e o Senhor das criaturas.
  2. Ele é Único.
  3. Ele é incorpóreo.
  4. Ele é primeiro e último.
  5. É só a ele que as orações devem ser dirigidas.
  6. As palavras dos profetas são verdadeiras.
  7. O ensinamento de Moisés é verídico; ele é o maior dos profetas.
  8. A Torá, tal como a possuímos, é exatamente aquela que foi revelada a Moisés.
  9. Essa Torá não será mudada, não haverá uma nova Torá.
  10. Deus conhece todas as ações dos homens e todos os seus pensamentos.
  11. Deus recompensa aqueles que observam seus preceitos e pune aqueles que os transgridem.
  12. "Creio, com uma fé perfeita, na vinda do Messias, e, ainda que ele tarde, espero sua vinda a cada dia."
  13. "Creio na ressurreição dos mortos, no dia em que o Criador assim o desejar."

Para sua reflexão

1 - Repetidas vezes, e isso em todo mundo, cinema e televisão voltam ao tema do massacre dos judeus na Segunda Guerra. Exemplo disso são os filmes "Holocausto" e "A lista de Schin-dler". Haveria algum motivo para isso? Alerta ou remorso? Discuta com o grupo.

2 - Muitas das inúmeras prescrições judaicas dizem respeito à higiene. Pergunte a um professor de biologia por que não era conveniente, por exemplo, que os judeus - vivendo no deserto - comessem carne de porco. Procure se informar com um judeu sobre outros costumes e analise-os do ponto de vista histórico.

3 - Israel tem sido constantemente alvo de atentados e cenário de violência e mortes. Neste momento, como está a situação naquele país? Por quê?

4 - Qual a importância de um "livro sagrado" para uma religião?

5 - Procure entrevistar um judeu praticante e peça-lhe que fale sobre seu povo e seus costumes.

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