Revista "MUNDO e MISSÃO"

Saúde


"...estamos celebrando uma das maiores conquistas da humanidade e enfrentando um dos seus maiores desafios: o crescente envelhecimento global da população"
(Diretora geral da Organização Mundial da Saúde
Dra. Gro Harlem Brundtland)

última Assembléia Mundial sobre o envelhecimento humano, realizada pela ONU em Madrid, em abril de 2002, teve como tema “uma sociedade para todas as idades”.

Representantes de 160 países e 700 representantes de ONGs, avaliaram os resultados conseguidos a partir das recomendações da 1.ª Assembléia, realizada 20 anos antes, em Viena, num esforço global para enfrentar a “revolução demográfica” que acontece em todo o mundo.

A assembléia aprovou dois documentos importantes: “Plano de Ação Internacional de Madrid sobre o Envelhecimento – 2002” e uma “Declaração Política”, que contém os compromissos assumidos pelos governos para executar o novo Plano de Ação nos próximos 25 anos.

PLANO DE AÇÃO

O Plano de Ação aponta para três prioridades:

a) os idosos e o processo de desenvolvimento, que se centra na necessidade das sociedades ajustarem suas políticas e instituições para que a crescente população idosa seja uma força produtiva em benefício da sociedade;

b) a promoção da saúde e do bem-estar para todo o ciclo da vida, que atenda a necessidade de implantar políticas que promovam a boa saúde desde a infância até a velhice;

c) a criação de contextos propícios e favoráveis, que promovam políticas orientadas para a família e a comunidade como base para um envelhecimento seguro. Aprimorar condições de moradia, promover uma visão positiva do envelhecimento e necessidade de conscientização pública de que os idosos têm contribuições a dar à sociedade.

DECLARAÇÃO POLÍTICA

O artigo 14, transcrito a seguir, aborda especificamente a questão da saúde dos idosos. “Reconhecemos a necessidade de se conseguir progressivamente a plena realização do direito de todas as pessoas de desfrutar do máximo possível de saúde física e mental. O objetivo social de alcançar o grau mais alto possível de saúde é de suma importância em todo o mundo e, para que se torne realidade, é preciso adotar medidas em muitos setores sociais e econômicos, fora do setor da saúde.

Comprometemo-nos a proporcionar aos idosos acesso universal e igualitário aos cuidados médicos e aos serviços de saúde física e mental. As crescentes necessidades do processo de envelhecimento populacional trazem a exigência de novas políticas de cuidado e tratamento, promoção de meios saudáveis de vida e ambientes propícios. Promoveremos a independência, capacitação dos idosos e incentivaremos todas as possibilidades de participação plena na sociedade. Reconhecemos a contribuição dos idosos ao desenvolvimento no desempenho de seu papel como guardiões”.

PRONUNCIAMENTOS

O secretário geral da ONU, Kofi Annan, na abertura dos trabalhos da Assembléia, lembrou um provérbio africano que diz que “quando morre um velho, desaparece uma biblioteca”. As pessoas idosas são intermediárias entre o passado, o presente e o futuro. Sua sabedoria e experiência formam uma verdadeira linha da vida (lifeline) na sociedade. Annan ainda exortou a todos os governos, para que se esforcem na “construção de uma sociedade adequada para as pessoas de todas as idades” e lembrou que o envelhecimento populacional não é um problema apenas do Primeiro Mundo, mas que, nos próximos 50 anos, a população idosa dos países em desenvolvimento deverá ser multiplicada por quatro.

O mundo passa por uma transformação demográfica sem precedentes. Entre hoje e 2050, o número de idosos aumentará de 600 milhões para quase dois bilhões. Em menos de 50 anos, pela primeira vez na história, o mundo terá mais pessoas acima de 60 anos que pessoas com menos de 15 anos. Ele concluiu o pronunciamento, dizendo: “nós envelheceremos um dia, se tivermos este privilégio. Olhemos, portanto, para as pessoas idosas como nós seremos no futuro. Reconheçamos que as pessoas idosas são únicas, com necessidades e talentos e capacidades individuais e não um grupo homogêneo por causa da idade”.

Por sua vez, a então diretora geral da Organização Mundial da Saúde, Dra. Gro Harlem Brundtland, afirmou que “estamos celebrando uma das maiores conquistas da humanidade e enfrentando um dos seus maiores desafios: o crescente envelhecimento global da população”. Celebramos um aumento na expectativa de vida de mais de 30 anos no último século, através da melhora dos serviços de saneamento, nutrição, descoberta e uso de antibióticos e através de meios ambientes mais seguros e saudáveis, que revolucionaram a condição humana na face da terra.

A drástica redução da mortalidade infantil nos últimos 100 anos é um grande sucesso de saúde pública. O desafio é transformar estes ganhos em benefício para a sociedade, superando áreas de exclusão. Isto exigirá profundas mudanças na forma como organizamos nossos lugares de trabalho, nossa maneira de viver e nosso conceito de cuidar daqueles que não podem se cuidar, mas que necessitam ser cuidados. Precisaremos redefinir a maneira como encaramos a contribuição das pessoas para a sociedade e como medimos a produtividade em si.

FENÔMENO PREOCUPANTE

A ex-diretora geral da OMS afirmou que “enquanto os países desenvolvidos ficaram ricos antes que se tornassem velhos, os países em desenvolvimento estão ficando velhos antes de se tornarem ricos. Enquanto na Europa o envelhecimento da população foi gradual durante o período de um século, o ritmo da mudança demográfica é muito mais rápido que o desenvolvimento sócio-econômico nos países em desenvolvimento. Isto acarreta problemas sociais sérios. Não é somente o número de idosos que cresce rapidamente, mas os gastos anuais com saúde por pessoa aumentam também com a idade.

Uma pesquisa apontou que as pessoas com mais de 75 anos, que correspondem a somente 5% da população, absorvem quase 30% do total gasto em saúde”. Em 1950, o percentual de maiores de 60 anos de idade era de 8,2%; em 2000, essa faixa etária alcançou 10%. As projeções para 2050 estimam que a terra abrigará 21,1% de pessoas idosas. No Brasil, os índices são semelhantes: em 1950, 4,9%; em 2000, 7,8%, e no ano 2050, teremos 23,6% de idosos.

A expectativa de vida do brasileiro ao nascer apresenta interessante evolução: entre 1950 e 1955 era de 50,9 anos; entre 2000 e 2005, de 68,3; e estima-se que entre 2045 e 2050 a expectativa de vida do brasileiro seja de 76,9 anos de idade.

Nosso país tem aproximadamente 11 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Projeções indicam que seremos o sexto país do mundo em número de idosos no ano de 2020, com aproximadamente 32 milhões de idosos. Segundo dados do IBGE-2000, temos hoje em nosso país 30 mil pessoas centenárias.

“O ENVELHECIMENTO ATIVO”

Brundtland lembra a necessidade de se implementar a visão e a perspectiva do “envelhecimento ativo”, através do qual todos possam ter boa qualidade de vida e serem reconhecidos como úteis na sociedade.

Os fatores determinantes são: o acesso ao conhecimento e aos serviços básicos, o meio ambiente limpo, sociedades equânimes, o respeito pelos direitos humanos, bons governos, a capacitação do povo em decisões relevantes de sua vida. Para tanto, – afirma a pesquisadora – é necessário adotar uma perspectiva de curso de vida, isto é, começar com as crianças de hoje e os jovens que estão chegando à idade adulta.

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