Revista "MUNDO e MISSÃO

Leigos

Comunidade de Maranathà de Bolonha

FAMÍLIA de FAMÍLIAS

Hélio Pedroso

Não são comunidades monásticas, mas grupos de famílias cristãs que, no respeito recíprocoe total, se juntam para condividir uma forte experiência de vida

amílias que vivem juntas? Parece meio estranho que, numa sociedade egoísta e individualista, famílias, formadas de pais e filhos escolham viver juntas, pondo em comum moradia, projetos de vida, trabalho e até meios econômicos. Há vários anos, porém, já existem famílias que experimentam a possibilidade de viver esse ideal de partilha e respeito recíproco, cuja referência ideal são as primeiras comunidades cristãs, como foram descritas nos Atos dos Apóstolos, onde “tudo era posto em comum”.

Compromisso cristão

Estas famílias, embora tenham tudo em comum, não são nem querem ser comunidades religiosas, no sentido tradicional. A vida delas permanece no estilo normal de todas as famílias cristãs: cada núcleo mantém a sua identidade sem sobreposições de papéis ou intromissões externas. Os edifícios são feitos ou adaptados para que, além dos lugares próprios à vida comum, haja espaços onde cada família possa exercer seus direitos e viver relações normais. Um modelo familiar cristão aberto, disponível aos outros, mas preservando sua identidade.

Nessa escolha das famílias, existe uma resposta – até escandalosa para os padrões desfraldados pela sociedade moderna, que exalta um individualismo desenfreado e absoluto da pessoa. Essa “família de famílias”, pelo contrário, afirma de ter reencontrado o valor familiar fundamental e uma desconhecida dimensão de serenidade e complementação recíproca. Superaram o mal-estar da solidão que tantos hoje vivem, no compromisso de fidelidade mútua e dando-se aos outros como parte desse amor que supera os limites e os confins da família tradicional.

Boa parte desses grupos familiares educam, além dos seus filhos, outras crianças, jovens problemáticos, acolhem imigrantes, marginalizados, prostitutas e anciãos solitários que procuram amparo e solidariedade para recuperar sua dignidade humana.

São casais satisfeitos com o próprio matrimônio, ricos de amor entre si e que o partilham não somente com os filhos, mas com aqueles que os procuram em busca de experiências positivas de vida.

Ainda pouco numerosas, essas comunidades podem ser uma referência da originalidade evangélica leiga, aberta a receber e a compartilhar valores que estão desaparecendo na sociedade moderna, deixando, atrás de si, tanta solidão e vazio espiritual. Entre as muitas experiências desse tipo, apresentamos a de Maranathà.

Cem corações e um galinheiro

O edifício em forma de u parece mais uma sólida residência de antigos fazendeiros, rodeada de outras construções para a criação de animais e armazenamento das colheitas. Mas não é bem assim... Aí moram mais de cinqüenta pessoas, divididas em sete famílias que vivem juntas e partilham o ideal à risca.

Maranathà é o nome que escolheram para a comunidade, quinze anos atrás quando, freqüentadores de um círculo bíblico decidiram fazer uma escolha radical, orientados por um jesuíta, pe. Paulo Bizzeri. O começo não foi fácil: primeiramente, precisavam encontrar um lugar que, preservando a privacidade de cada família, pudesse acolher a todos os que quisessem participar do projeto que se apresentava, no começo, bem desafiador. Por fim, acabou aparecendo este casarão nos arredores de Bolonha, sede de uma fazenda onde houve uma grande criação de galinhas.

Quando as famílias o encontraram, era uma ruína abandonada fazia alguns anos, mas, após alguns meses de trabalho alternado e com a ajuda de amigos e conhecidos, a casa foi reformada para as exigências da comunidade. Cada família tem um amplo apartamento para a sua privacidade. Existem os ambientes comunitários como a cozinha coletiva, uma capela e salas para reuniões e administração da obra, além de outros espaços adaptados para eventuais hóspedes, que gostariam de experimentar a convivência comunitária ou que procuram uma solução aos próprios problemas.

Durante a semana, de segunda até sexta, as famílias e os hóspedes almoçam juntos. O jantar, salvo ocasiões especiais, é realizado na intimidade de cada apartamento para salvaguardar a privacidade e a identidade de cada núcleo familiar. Juntos, afirmam, conseguem viver melhor a vocação cristã da família, conjugando forças que um núcleo familiar não teria capacidade nem poderia fazer, mas é preciso prestar atenção ao equilíbrio natural dos casais que devem ser respeitados e, às vezes, com critérios diferentes e pessoais. Não se exclui, porém, o perigo de que a vida comunitária que enriquece as possibilidades intrínsecas da família e do amor, possa, em outros casos, ser um percalço para sua liberdade e privacidade.

Caixa em comum: uma loucura?

Querer viver um perto de outro, tendo em comum as atividades é
bom, mas pôr em comum os salários e os ganhos de todos, num espírito de total confiança, parece uma verdadeira loucura. Aliás, este fato é o ponto mais controverso dessas comunidades de famílias, que tentam resolver o problema de várias maneiras.

Não são monges, não fazem voto de pobreza e cada família tem suas exigências e sua consciência; há os estudos e as férias dos filhos, seu futuro, a própria convivência familiar, certas comodidades que fazem parte da própria convivência e que devem ser consideradas. O lema das comunidades é viver na sobriedade, mas esse termo também é relativo: o que é a sobriedade para uma família nem sempre é para outra, com maior número de filhos e outras exigências.

Algumas comunidades, que puseram em comum trabalho e salário, distribuem um cheque em branco, no começo do mês, que cada família, em plena liberdade, preenche, conforme suas necessidades. Ninguém sabe o que foi escrito no cheque ou o uso desse dinheiro.

A confiança recíproca é total.

Para conhecer melhor essa comunidade entre em contato
por e-mail: com.maranatha@tiscalinet.it

A comunidade de Maranathà, para realizar tudo isso, escreveu a Carta da aliança, um documento em que se procurou definir a finalidade do projeto, as prioridades e o estilo de vida da comunidade.

Comunidade de Emet ao norte de Udine

João e Lorena têm cinco filhos, entre os quais, um adotivo. Lorena ocupa-se da coordenação interna da casa, enquanto João, enfermeiro, trabalha num hospital.

Antonieta e Egisto, com três filhos (um também adotivo), trabalhavam numa cooperativa social e sua experiência nesse campo é de grande valia para o atendimentos às pessoas que procuram o apoio da comunidade. Lucas e Francisca têm apenas um filho; Fabrício e Helena são recém-casados, ele é formado em engenharia informática e ela é professora e, na comunidade, atende ao departamento de imprensa e comunicação.

Casal Todeschini com o filho Luca

Famílias em experiência

Recentemente, a comunidade abriu-se para os outros, aceitando, para um período de experiência, famílias que gostariam de se entrosar na comunidade, mas antes, devem comprovar a própria convicção.

A comunidade tem compromissos com outras realidades externas, no campo social, público e particular. Participa do trabalho da Caritas diocesana de Bolonha, acolhe e acompanha jovens de ambos os sexos que querem praticar o voluntariado social, além de atuar na pastoral matrimonial.

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