Revista "MUNDO e MISSÃO"

Espiritualidade e Missão

Terezinha do Menino Jesus
a santa do abraço universal

por Ernesto Arosio

erezinha do Menino Jesus é uma santa diferente daquilo que imaginaríamos: na simplicidade da vida do Carmelo, sem nunca ter saído do convento e tendo vivido apenas 24 anos, abraçou o mundo inteiro no seu desejo de salvar a todos.

Nascida em 2 de janeiro de 1873, numa família de pequenos burgueses franceses profundamente religiosos, desde pequena foi educada para a caridade. Aos 15 anos, e com uma licença especial do então papa Leão XIII, entrou no convento das carmelitas de Lisieux. Em sua breve e recolhida existência, conseguiu expandir suas fronteiras muito além dos quatro muros do Carmelo e transformar o silêncio e a oração em eloqüente apelo e exemplo à santidade. Rezava pelos pecadores, pelos pagãos, pelos missionários, oferecendo sacrifícios cujo valor era muito precioso pelo amor profundo que a movia, que a impulsionava a fazer-se também sacrifício pelos outros, numa dimensão totalmente universal.

Por obediência, escreveu sua autobiografia aos 22 anos de idade. Nela transparece sua grande riqueza interior, realizada nas pequenas coisas quase insignificantes do convento. A "História de uma Alma" tornou-se o manual de espiritualidade para muitos religiosos e leigos e prova de como, através de pequenos gestos e na simplicidade de vida, pode-se alcançar a santidade. Sua vida transformou-se numa verdadeira doutrina espiritual, conhecida como "Infância Espiritual".

Terezinha do Menino Jesus entregou-se à vida religiosa com a simplicidade de uma criança que se abandona ao Pai, misericordioso e amoroso, levando consigo toda a humanidade. Nessa descoberta do Pai, Terezinha oferece-se como "vítima de holocausto ao amor misericordioso de Deus", para que a vida se transformasse num ato perfeito de amor. A partir disso, a passagem para um universalismo espiritual tornou-se uma seqüência lógica na vida de Terezinha: se Deus é Pai e nós somos irmãos, devemos nos inflamar de amor, uns pelos outros, especialmente pelos que mais precisam desse Amor, como os pecadores, os pagãos.

Terezinha queria ser a irmã espiritual de todas as pessoas no mundo e, para isso, usava os meios ao seu alcance num convento: a oração, a penitência, o sacrifício oferecido pelos irmãos do mundo inteiro. Em sua biografia, revela os desejos que brotavam do seu anseio de fraternidade entre todos: ser missionária para levar Cristo a toda parte, ser pregadora e apóstola para instruir a todos, ser sacerdote para dar Cristo a todos.

Seu lema era "amar a Jesus e fazer com que Ele seja amado por todos". Nesse seu desejo, vivido intensamente nos pequenos sacrifícios e depois na doença que a levou à morte com pouco mais de 24 anos, ela realiza seus anseios de ser missionária, vítima e sacerdote no sacrifício de si mesma, tanto que, embora nunca tenha saído da clausura, foi declarada padroeira universal das missões e dos missionários, ao lado de São Francisco Xavier, que morreu pelo cansaço de sua missão no Oriente.

Para a realização de sua missionariedade, escolheu, entre os vários motivos para a doação de sua vida, os missionários. Por eles não apenas rezava, mas também iluminava e se fez portadora da mensagem evangélica, através de muita correspondência para estimular os que trabalhavam diretamente nos campos difíceis das missões no seu tempo. Exemplo prático do Corpo Místico de Cristo, ela demonstra que todos, qualquer que seja a sua situação de vida, podem ser missionários, estar próximos a todos na oração, no sacrifício no desejo de salvar.

Quando a Igreja, reconhecendo a missionariedade de Terezinha, tão grande no seu desejo de amar a todos os homens, declarou-a padroeira das missões, ensinou que cada cristão que diz amar a Deus é naturalmente missionário e deve comunicar esse amor a todos. Ser missionário nem sempre quer dizer evangelizar ou pregar, mas que é preciso viver o amor universal. Nem todos podem ser sacerdotes, anunciadores e profetas missionários, mas todos podem testemunhar, na própria vida, seu amor pela humanidade, imagem do amor de Cristo.

Terezinha foi declarada também doutora da Igreja e, ainda hoje, tem muito a ensinar.

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