Revista "MUNDO e MISSÃO"

Crianças


atal é o verdadeiro dia da criança: um Deus que se faz criança num gesto cheio de simbolismo: pobre, numa gruta e convocando, desde seus primeiros momentos, pastores e sábios, para construir a paz no mundo. No dia de Natal, após 2003 anos do acontecimento histórico, milhões de pessoas continuam a celebrar, na alegria, esse evento. Milhões de crianças recebem presentes para comemorar a vinda de um Deus criança, que trouxe como máximo mandamento o amor recíproco e ajudou a humanidade a descobrir que Deus é Pai e todos os homens são irmãos.

Mas, bilhões de pessoas nem se importam com esse acontecimento que nada lhes diz. Milhões de crianças, além de não receberem presentes e não viverem um dia feliz em família, passarão o Natal na sarjeta, pedindo esmola, traficando droga, vendendo-se e prostituindo-se por capricho de adultos, sem escola, com fome, humilhadas e torturadas, aprendendo, com violência, a odiar o próximo.

E isso acontece também no mundo que se diz cristão. Os números são revoltantes: são milhões e aumentam, apesar dos esforços de entidades e pessoas que querem dar um Natal diferente, uma vida digna e feliz a esses párias da sociedade.

onsultando-se revistas e a internet, fica-se horrorizado com os números e a vastidão dessa chaga. Há cinismo e má vontade por parte da sociedade: a criança, em sua fragilidade e desejo de crescer, acaba se tornando objeto de medo, objeto de estudos e estatísticas, mas não de verdadeiras ações do nosso afeto. Na história humana, a criança e a mulher sempre foram as maiores vítimas da pobreza, das guerras, mas a nossa sociedade continua massacrando, martirizando milhões por preconceito e quase sempre pelo maldito lucro.

Aqui podemos dar somente uma amostra desse imenso sofrimento, não para que fiquemos revoltados e indignados, mas para que tenhamos a ousadia e a coragem de unir forças e tentar fazer algo de concreto. Em seguida, apresentaremos algumas entidades, entre as muitas, que querem ser os anjos portadores de paz e da solidariedade com essas crianças.

O ESCÂNDALO DA "CIVILIZAÇÃO MODERNA"

Uma característica das culturas tribais que ainda hoje subsistem é o amor e o respeito à criança que, além dos pais biológicos, tem todos os membros da aldeia para ampará-la solidariamente.


Além do recrutamento forçado de meninos para as guerrilhas

Na nossa sociedade, existem também muitos casos de amor às crianças, mas, infelizmente, existe o reverso desse amor: seres humanos que vendem, compram, abusam e se enriquecem, aniquilando a humanidade desses seres indefesos.

Na África, temos os números mais desumanos: milhares de crianças morrem de Aids, em quase todos os países do centro e sul do continente. Ainda existe a escravidão aberta e praticada até por pais, que vendem os filhos para pagar dívidas, além do recrutamento forçado de meninos para as guerrilhas. Na Ásia, o trabalho de menores, isto é, a exploração de crianças em trabalhos perigosos, chegou a níveis intoleráveis, inclusive no aspecto moral. Crianças de pouca idade são obrigadas a trabalhar 13/14 horas ao dia; outras são vendidas para trabalho escravo.


"Na África, temos os números mais desumanos: milhares de crianças morrem de Aids, em quase todos os países do centro e sul do continente. Ainda existe a escravidão aberta e praticada até por pais, que vendem os filhos para pagar dívidas.

Nas Américas, existem as gangues criminosas que exploram os menores: crianças mineiras no Peru e Colômbia, cortadoras de cana no Brasil, transportadoras de droga em vários países, soldados, prostituídas para uso local e para exportação.

Onde há infindáveis guerras e conflitos, temos crianças com armas na mão, mutiladas pelas bombas, órfãs e abandonadas.

OS NÚMEROS QUE ASSUSTAM

NO MUNDO

  • Conforme dados da Unesco, há mais de 115,4 milhões de crianças não escolarizadas no mundo inteiro, das quais 56% são meninas e 44% meninos.
  • Cinco jovens são contaminados por HIV a cada minuto; mais de sete mil, diariamente.
  • Mais de 11 milhões de jovens (de 15 a 24 anos de idade) têm o vírus HIV. Em 1998, a Aids matou 510 mil crianças menores de 15 anos.
  • 50% de todas as pessoas com Aids no mundo são mulheres e crianças.
  • Na África, a Aids matou 2 milhões, enquanto as guerras mataram 200 mil pessoas.
  • Em dez anos, os conflitos armados provocaram a morte de 2 milhões de crianças e deixaram 6 milhões mutiladas e feridas.
  • Na Colômbia, mais de 2 mil crianças menores de 15 anos foram recrutadas, por organizações guerrilheiras e paramilitares, nos últimos dez anos.
  • O número de pessoas vivendo na pobreza, nos últimos 20 anos, cresceu para mais de 1,2 bilhão, ou seja, uma em cada cinco pessoas, englobando 750 milhões de crianças.
  • Mais de 30,5 mil meninos e meninas, com menos de 5 anos, morrem, por dia, de causas evitáveis, pelo fato de os países não cumprirem suas obrigações morais e legais em relação aos direitos das crianças.
  • 67% das mortes de pessoas entre 15 e 24 anos foram causadas por acidentes de trânsito, homicídio e suicídio. Há 19 anos, a taxa era de 50%.

NO BRASIL

  • Cerca de 120 mil crianças menores de 12 meses morrem a cada ano: 57 mil delas, em sua primeira semana de vida.
  • 3 milhões de crianças entre 5 e 14 anos integram, atualmente, o mercado de trabalho e, aproximadamente, 18 mil crianças sofrem maus-tratos diariamente, ainda que somente 2% destes casos sejam denunciados.
  • 35% (21 milhões de crianças) vivem em lares com renda doméstica igual ou inferior a um salário mínimo (US$ 70 dólares).
  • O país ainda tem 1,3 milhão de meninos e meninas fora das escolas.

Fonte: Unesco

Das crianças brasileiras, apenas 8% freqüentam creches e 51% com idades entre 4 e 6 anos estão matriculadas na pré-escola. Para o Unicef, o Brasil faz parte do grupo de países com a pior distribuição de renda, junto com o Panamá, Quênia, Zâmbia e Costa do Marfim, mas reconhece alguns avanços como: em dez anos, houve redução da mortalidade de 47,8 para 36,1 por mil crianças nascidas vivas; erradicação da poliomielite e a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Entre gangues e pobreza

hicago é a cidade das mais famosas gangues do meio Oeste dos Estados Unidos. Contam-se mais de trinta gangues reunidas em alianças que lhes dão muito mais poder. Na área metropolitana, calcula-se que seriam mais de 100 mil os membros dessas gangues divididas por quarteirões e proveniência étnica. Black Disciples, Vice Lords, Latin Kings, Two-six, entre outras, são gangues muito ativas e rivais também na distribuição da droga. A Gangsters Disciples contaria com mais de 30 mil membros, especialmente entre os afro-americanos.

Os membros se reconhecem por sinais particulares e tatuagens no corpo. Para muitos meninos/as, as gangues são quase uma família, uma resposta às suas necessidades de proteção, dinheiro, criando entre os membros um sentimento de pertença. Alguns pertencem a gangues de pai para filho, outros se sentem pressionados. Os sacerdotes e os voluntários que tentam trabalhar com eles dizem que seria um conceito errado considerar as gangues como inimigos da sociedade, a serem combatidos e aniquilados com os mesmos meios violentos que eles utilizam.

Os verdadeiros inimigos deles não são as gangues, mas a sociedade que os rejeita, a pobreza que os relega à marginalidade e a viver nos guetos, sendo que, para conseguir algo com eles, é preciso crer firmemente que há uma possibilidade de futuro para esses meninos e responder-lhes com amor. No bairro de Englewood, ao sul de Chicago, mais de 300 adolescentes vivem na rua, numa população de 49 mil pessoas. A infância lhes foi roubada pela pobreza, violência doméstica, abuso de todos os tipos. Todavia, fugindo para a rua, encontram violência, prostituição, droga e álcool. Configura-se um verdadeiro círculo vicioso e um desafio para a sociedade como um todo, para ser mais humana e coerente com os direitos que apregoa e defende pelas leis.

Nigrizia, set/2003

Unicef denuncia abuso de crianças e mulheres

O documento Stop the traffic (Parem o tráfico) do Unicef, divulgado em 24 de setembro deste ano, confirma os dados acima e mostra outros igualmente graves. O maior mercado comprador de escravos é a Europa e os maiores fornecedores seriam o oeste da África e o leste europeu. As estimativas apontam a venda de 500 mil mulheres e jovens, todos os anos.

Entre as crianças, cerca de 200 mil seriam compradas e vendidas no oeste africano; uma parte, encaminhada para a exploração sexual ou mão-de-obra barata na Europa e outra ficaria na própria África, como escravos domésticos. Na China, 250 mil mulheres e crianças seriam vítimas de traficantes. Meninos do sul da Ásia, como Paquistão, Bangladesh e Índia, seriam vendidos para os emirados árabes, a fim de trabalharem como condutores de camelos.

Maus-tratos

O relatório do UNICEF sobre os maus-tratos em relação às de crianças informa que, todos os anos, 3.500 crianças morrem, vítimas de abusos por parte de adultos. Os Estados Unidos da América, México e Portugal ficam nos três primeiros lugares no pódio da vergonha, apresentando entre 10 e 15 vezes mais casos do que a média.

Um segundo grupo de países apresenta níveis entre 4 e 6 vezes mais altos do que a média, e seriam a Bélgica, França, Hungria, República Checa e Nova Zelândia, enquanto Espanha, Grécia, Itália, Irlanda e Noruega apresentam uma incidência "excepcionalmente baixa". As causas dos maus-tratos são o abuso de álcool, drogas, estresse e dificuldades financeiras: 80% dos casos são perpetrados pelos pais, sendo 41% por homens e 39% por mulheres.

A cada ano, 6 mil novos escravos

stima-se que sejam cerca de seis mil os novos escravos que chegam, a cada ano, à Europa; mas, no mundo inteiro, já seriam mais de 2 milhões de crianças-mercadoria. Vítimas inocentes da cobiça de homens e mulheres sem escrúpulos, essas crianças são encaminhadas à prostituição, ao tráfico de droga, ao comércio ilegal de órgãos e, se tiverem sorte, a uma adoção ilegal. Os dados são o resultado de uma pesquisa realizada em 2002, por diferentes Ongs, entre as quais, a "Terre des Hommes", "Save the Children, Itália", a Fundação Internacional Lelio Basso e a Associação Parsec.

As pesquisas evidenciam que, após o comércio das armas e drogas, o comércio de menores e mulheres é a terceira maior fonte de lucro ilegal para as organizações criminosas. O estudo, com mais de trezentas páginas, realizado pelas Ongs, limitou suas pesquisas e considerações somente à Albânia e à Romênia, mas são milhares de pequenos albaneses, moldavos, romenos, búlgaros, ucranianos, meninos e meninas, que são vendidos pelos pais a organizações criminosas, achando que estão enviando seus filhos para uma vida melhor em outros países da Europa, ou são raptados ou convencidos por falsas e mirabolantes promessas para o futuro. Quando, porém, desembarcam, clandestinamente, o cenário que encontram é bem diferente e dramático.

As meninas são encaminhadas para a prostituição: escondidas em apartamentos ou pequenos clubes privés e ainda são segregadas, transferidas freqüentemente de uma cidade a outra, de um país a outro, para confundir e diminuir possíveis riscos de serem descobertas pelas polícias. Os meninos, quando não são eles mesmos obrigados à prostituição, devem trabalhar - escravos modernos -, nos semáforos, pedir esmolas ou ser transportadores de droga. Outras crianças são destinadas ao tráfico de órgãos, enquanto algumas, que podem se considerar privilegiadas, são adotadas por alguns milhares de euros ou dólares, por famílias que querem fugir da longa espera por uma adoção legal.

Avvenire

Os fazedores do Natal

iante do quadro acima que nos revela somente a ponta do iceberg dos abusos que se cometem contra as crianças no mundo, podemos, felizmente, contrapor a ação dos fazedores do Natal: incontáveis instituições e organizações internacionais, nacionais, paroquiais, que surgiram para tentar ajudar a solucionar esse problema, com milhões de voluntários que anunciam a essas crianças o amor, a paz, como os anjos na gruta de Belém. Citaremos somente algumas delas, devido à impossibilidade de falar de todas, mas todas nos dão a esperança de que conseguiremos vencer o pior dos males da nossa sociedade.

UNICEF

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), muitas crianças no mundo perderam os pais, ficaram sem casa, sem família, sem saúde, sem comida e começaram a perambular pelas ruas, perdidas e desamparadas. A recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU) resolveu tomar algumas iniciativas para amenizar a tragédia e criou, em 11 de dezembro de 1946, o Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF.

No começo, o UNICEF era um fundo de emergência, mas, alguns anos depois, tornou-se uma instituição permanente de ajuda e proteção às crianças, em todas as suas exigências. Desde então, o UNICEF ajuda milhões de crianças, independentemente da raça, religião, nacionalidade ou classe social, combatendo a fome, a doença, o trabalho infantil, o analfabetismo, a violência e toda forma de desrespeito.

Para isso, trabalha junto a governos e Organizações Não-Governamentais (ONGs) de 161 países, para que todos os direitos das crianças sejam respeitados. Em 20 de novembro de 1989, a ONU também aprovou a Convenção sobre os Direitos da Criança, que virou lei internacional, um ano depois. Esse documento é um conjunto de leis que deveriam propiciar a proteção às crianças do mundo. O dinheiro do Fundo vem de doações voluntárias de governos, de Ongs, de pessoas comuns, de iniciativas particulares, como "Criança Esperança", da Rede Globo e da venda de cartões de Natal.

PASTORAL DA CRIANÇA

A Pastoral da Criança é apontada como uma das mais importantes organizações comunitárias no mundo, nas áreas de saúde, nutrição e educação da criança, até os seis anos de vida, na prevenção da violência no ambiente doméstico, envolvendo famílias e comunidades. Sua história começou em 1982, numa reunião da ONU, em Genebra, quando dom Paulo Evaristo Arns, então arcebispo de São Paulo, encontrou-se com James Grant, diretor executivo do UNICEF na época. Este o convenceu de que a Igreja poderia ajudar a salvar milhares de vidas de crianças que morriam de doenças facilmente curáveis como, por exemplo, a desidratação causada pela diarréia. O soro oral era considerado um dos maiores avanços da medicina na época. Voltando ao Brasil, dom Paulo conversou com sua irmã, a médica pediatra e sanitarista Dra. Zilda Arns Neumann, pedindo-lhe que pensasse como se poderia concretizar essa idéia.

Em setembro de 1983, a Pastoral da Criança iniciava suas atividades no município de Florestópolis, no Paraná, sob os auspícios e proteção da CNBB, desenvolvendo uma metodologia própria, que une a fé com a vida, e tem como centro a criança, em seu contexto familiar e comunitário. É uma metodologia que forma redes de solidariedade humana para multiplicar conhecimentos, o saber e a fraternidade. Ao fortalecer a rede de voluntários que promove o autodesenvolvimento dos pobres, a Pastoral procura favorecer a própria libertação das famílias, seu protagonismo na solução de problemas e a capacidade de discutir alternativas de forma harmoniosa e pacífica. A experiência já foi exportada para mais de 20 países do mundo.

CHEIRO DE CAPIM

Entre as instituições que surgiram nos últimos anos, dentro das instituições eclesiais e iniciativas particulares em prol das crianças de rua, citamos uma, ainda desconhecida do grande público, mas de grande valia em suas obras com os meninos de rua e toda a problemática que eles envolvem: o projeto Cheiro de Capim. Este começou há mais de 15 anos, com o suporte dos padres verbitas que foram morar no bairro do Brás, em São Paulo, onde havia uma concentração de mendigos. Seu objetivo prioritário era o trabalho com as crianças de rua, por meio de voluntários, padres, religiosos e leigos.

O projeto assumiu o nome de Cheiro de Capim, em contraposição ao cheiro da cola que as crianças de rua cheiram e que as compromete com a delinqüência e a morte. Os voluntários saem pelas ruas, todos os dias, para manter contato com as crianças; há, também, uma casa de apoio que fornece suporte pedagógico, educativo e lúdico. Normalmente, são abordadas de 300 a 400 crianças por semana. Essas crianças de rua não têm perspectivas na vida, a não ser a droga que lhes dá uma sensação de bem-estar e independência, sem saber que afundam cada vez mais.


Irmão Lúcio, voluntário do Cheiro de Capim, com as crianças e adolescentes na noite do centro de São Paulo

Para mostrar-lhes outras perspectivas, o projeto Cheiro de Capim trabalha com a saúde, jogos, passeios, esportes, educação e orientação psicológica, e, no campo espiritual, no sentido mais abrangente, com reflexões, orações, conversas, etc. O trabalho é duro porque os voluntários têm de conviver com a morte. O craque é a causa maior de morte dessas crianças. O testemunho dos voluntários relata tragédias, mas, ao mesmo tempo, manifestam a felicidade que eles experimentam, quando conseguem arrancar um sorriso delas.

Um voluntário conta: "Estávamos ao redor do fogo com adolescentes viciados em droga e bebidas, todos com aquelas histórias marcantes de assaltos, furtos, prostituição e outras violências. Naquele ambiente, embora fosse sujo, cheio de obscuridade e sofrimentos de vidas jogadas na rua, o nosso trabalho agiu como a luz. É o velho ditado a lembrar que "vale mais acender um fósforo que amaldiçoar a escuridão". Às vezes, percebemos que, por meio do trabalho do Cheiro de Capim, temos a chance de descer nas vísceras da terra desta sociedade para, nessa realidade, transmitir luz e esperança".

Padre Renato, em seu livro "Filhos do Brasil", escreve: "O nosso é um trabalho de parteira que ajuda uma vida a renascer: é um parto longo e doloroso e nunca se sabe quando nasce o menino novo. É um trabalho apaixonante, apostar na força da vida e do mais forte que a morte". E isso não é um presente de Natal? O Cheiro de Capim também realiza um trabalho proveitoso com as Febems da cidade.

Mais informações: Tel.: (0XX) 11-227-5228 - E-mail: cheirodecapim@ig.com.br

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