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Religiões - Islamismo

Islamismo: A força de Maomé

O que é realmente o Islamismo? Qual a sua história, fundamentos? por que cresce tanto?

O termo “islam” vem do verbo “aslama” (submeter), e quer dizer “submissão”, enquanto a palavra “muslin” (daí deriva muçulmano) quer dizer “submisso”.
O sentido é claro: o verdadeiro “muçulmano” é aquele que se declara e é “submisso” a Deus.

Os muçulmanos consideram Maomé o último de uma série de profetas (Adão, Abraão, Moisés, Jesus, etc.) e afirmam que somente a mensagem transmitida a ele por Deus se conserva intacta, enquanto que os demais livros sacros sofreram deteriorações e mutilações ao longo dos tempos.

O islamismo não pode ser considerado apenas uma doutrina religiosa, pois legisla, ao mesmo tempo, sobre a vida interior, política e jurídica da comunidade.

Levado por conquistadores e mercadores árabes, o Islã difundiu-se rapidamente por uma imensa área geográfica. Em certa época chegou a se estender da Índia até à península ibérica. Atualmente é a segunda das religiões mais difundidas no mundo.

MAOMÉ

O islamismo nasceu na Arábia, no século VII. Os árabes eram nômades e estavam divididos em tribos.

Maomé nasceu em Meca, na atual Arábia Saudita, provavelmente no ano 570 da era cristã. O nome Maomé significa “altamente louvado”.

Pouco se conhece sobre a vida de Maomé, sobretudo do período que precedeu sua missão como profeta e mensageiro de Alá. Teve uma infância triste, pois perdeu seus pais muito cedo, sendo então educado por seu avô e seu tio. Este último o iniciou nas artes do comércio.

Aos 25 anos, já com a reputação de comerciante honesto e bem sucedido, casou-se com a rica viúva Cadidja, 15 anos mais velha que ele. O matrimônio durou até a morte de Cadidja, vinte anos depois.

Os estudiosos do Islamismo dizem que Maomé tinha um caráter generoso, resoluto, genial: um líder natural. Em sua juventude, Maomé foi adepto das crenças religiosas politeístas, muito comuns no mundo árabe. Ele teve oportunidade de conhecer, no exercício de sua profissão (condutor de caravanas e mercador), também a fé judaica e cristã.

Aos 40 anos, a tradição islâmica diz que Maomé foi visitado pelo Anjo Gabriel, que lhe revelou: “Ó Maomé, tu és o enviado de Deus (Allah).”

Maomé, desde aquele dia, teve a certeza de ter sido escolhido por Deus para se revelar aos homens, como havia feito através dos antigos profetas. Começou então, e com profunda convicção, a transmitir, aos habitantes de Meca, as mensagens recebidas.

Afirmava que o que ele pregava não era uma nova religião, mas a continuação da revelação que Deus tinha dado aos profetas do Antigo Testamento e a Jesus (que não considerava Filho de Deus, mas um grande profeta que devia ser obedecido).

PRIMEIROS PASSOS

Nos primeiros tempos, a pregação de Maomé dirigiu-se a um reduzido número de amigos e parentes. Só depois, por volta de 615, ele tornou pública sua mensagem relativa à existência de um deus único e todo-poderoso, chamado, em árabe, Alá, de quem se intitulava mensageiro ou profeta.

Os omíadas (dinastia) cedo perceberam que os novos ensinamentos monoteístas representavam uma ameaça à sua hegemonia política e econômica, como também um perigo social. Maomé e seus seguidores começaram a ser perseguidos.

Muitos muçulmanos foram obrigados a fugir para a Etiópia. O próprio Maomé refugiou-se no deserto, num castelo pertencente a Abu Talib.

Desde o início de suas pregações, Maomé infundiu em seus seguidores um profundo sentimento de fé e de fraternidade. Devido às muitas perseguições, teve que deixar Meca, mudando-se para Medina em 16 de julho de 622 (isso passou a ser chamado de hégira= emigração, separação). Essa data marca o início do calendário islâmico ou da era muçulmana.

O profeta, depois da hégira, formou uma comunidade religiosa e política, a umma ou comunidade de crentes, que se perpetuou no Islã como sendo uma religião-estado.

O Islã, nesse mesmo ano, afirmou-se não só como religião, mas como comunidade organizada. Maomé estabeleceu a constituição medinense que inclui até a possibilidade da guerra santa (jihad). Das três batalhas contra Meca, perdeu apenas a segunda.

A maior difusão da nova fé e o ideal do pan-islamismo deu-se sobretudo nessa época. Foram muitos os árabes e até judeus que abraçaram a nova religião. Aos que a repeliram, Maomé declarou guerra e obrigou os vencidos a aceitar a nova fé ou pagar tributos especiais.

A CIDADE SAGRADA

Meca é o lugar do nascimento de Maomé, o profeta. É a cidade mais sagrada do Islã. Nesta cidade existe a maior mesquita e a Caaba: pedra negra venerada pelos muçulmanos. É na sua direção que os muçulmanos se voltam quando fazem suas orações.

Meca, situada no meio do caminho da rota das caravanas que ligavam o oceano Índico ao Mediterrâneo, tornou-se centro religioso e comercial do mundo islâmico. Milhões de pessoas de vários países, vestidas de branco, visitam esta cidade sagrada por ocasião do décimo segundo dia do mês islâmico de Zul-Hijja, cumprindo assim o quinto mandamento do Islamismo.

Todo muçulmano, que tiver recursos, deve, ao menos uma vez na vida, no último mês do ano, peregrinar a Meca (haj). O peregrino tem que visitar a Mesquita Sagrada, rodeá-la sete vezes (três correndo e quatro vagarosamente), tocar e beijar a pedra negra de Abraão (meteorito localizado no ângulo da Caaba), beber água no poço de Zemzem, correr sete vezes a distância entre os montes Safa e a Marva, ir até o monte Arafat e a Mina, onde os fiéis atiram pedras contra colunas baixas (lapidação do diabo) e sacrificar um animal em memória de Abraão, considerado o primeiro profeta, construtor da Caaba e pai dos árabes.

O ALCORÃO

A base doutrinal criada por Maomé e o Alcorão constituem o fundamento sobre o qual assenta toda a estrutura da religião islâmica.

Segundo a tradição muçulmana, ao longo de vinte anos, Deus (Alá) revelou a Maomé, por intermédio do arcanjo Gabriel, o conteúdo de uma tábua conservada no céu (“a mãe do livro”), que se tornou o texto sagrado do Islã: o Alcorão (do árabe “al-Quram” = “o recitativo” ou “o discurso”).

Maomé comunicava oralmente a mensagem aos seus discípulos, que a retinham de cor, ou a gravavam em folhas de palmeira, como era costume da época, já que o pergaminho era muito caro.

As 114 suratas (capítulos) do Alcorão expõem os fundamentos do monoteísmo islâmico e os princípios morais que regem a comunidade. Deus é absolutamente ímpar - “não há nada igual a Ele”: onipotente, onisciente, misericordioso. Para os muçulmanos, somente o Alcorão é infalível.

O texto do Alcorão tem caráter sagrado, até mesmo na grafia, de modo que deve ser recitado em árabe, mesmo quando o crente não entenda essa língua. Os muçulmanos se opuseram sempre a traduções, sobretudo para as línguas ocidentais. Até hoje exigem que, se realizadas, sejam acompanhadas do texto em árabe.

EXPANSÃO

Durante o governo dos quatro primeiros califas sucessores de Maomé e sob a dinastia omíada (661-750), o Islã estendeu-se através da guerra santa e da atuação das organizações místicas. Com a dinastia abássida, que perdurou até 1258, o império se fragmentou. Formaram-se vários estados, regidos por diferentes dinastias independentes, no norte da África, na península ibérica, na Pérsia e em outros domínios. Apesar da divisão política, o Islã não perdeu sua unidade religiosa, institucional e econômica.

A expansão da mística islâmica, a partir do século XII, abriu novos caminhos para a religião, na Ásia central, Índia, Indonésia, Turquia e norte da África. Na Europa, o islamismo perdeu, no século XV, seus últimos reinos na Espanha e, depois da queda do império otomano, manteve somente redutos nos Balcãs e na Rússia meridional.

Para Refletir

1. O que significam os nomes “islã”, “muslin” e “Maomé”?

2. Quais os principais fundamentos doutrinais do Islamismo?

3. Quais os fatos mais importantes da religião muçulmana?

4. Por que os muçulmanos conseguiram tantos adeptos?

 

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