Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Paz

Sem Compreensão não há paz!

O dia da compreensão mundial é uma ótima oportunidade para refletimos sobre o relacionamento das pessoas, das instituições e dos povos.

AS GUERRAS

Uma rápida percepção sobre o sentido e a preciosidade da palavra "compreensão" nos leva a perceber, com bastante evidência, que a compreensão mundial foi e continua sendo seriamente ameaçada pela triste realidade das guerras.

O historiador Eric Hobsbawm afirmou que as guerras do século 20 mataram 187 milhões de pessoas, número que corresponde a mais de 10% da população mundial do ano anterior à deflagração da Primeira Guerra Mundial.

Eric Hobsbawm prevê ainda que as guerras no século 21 não serão mortíferas como as do século 20, mas que a violência armada permanecerá presente numa grande parte do mundo.A expectativa de um século de paz é remota.

São muitas as guerras no mundo e nem todas são devidamente noticiadas. O quadro abaixo, com dados colhidos após a II Guerra Mundial, oferece uma noção do que houve no século passado.

TOTAL GERAL (1946/96)
Continentes
n.º de mortos
Confitos
América Latina
81.000
18
África
2.830.000
21
Ásia
9.846.500
37
Europa
289.500
6
TOTAL
13.047.000
82
Fonte: http://www.ceveh.com.br/conflito.htm

FOCOS DE GUERRA

Movimentos separatistas, lutas pela derrubada de governos, tensões étnicas e religiosas são alguns dos motivos dos conflitos mundiais. O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos afirma que, das 31 guerras do ano passado, apenas 9 opõem países soberanos, as outras 22 são internas.
Principais focos de tensão por continente:

África: neste continente encontramos a metade dos 60.000 mortos em guerra do ano 2001. Deles, 4.000 morreram na República Democrática do Congo, onde há guerra entre rebeldes e governo. Guerras antigas prosseguem sem solução no Sudão, Somália e nas fronteiras entre Etiópia e Eritréia.

Ásia: A guerra civil no Afeganistão (Taliban x Aliança do Norte) já havia deixado 10.000 mortos antes mesmo dos ataques norte-americanos após os atentados de 11 de setembro. No Oriente Médio, palestinos e israelenses,diante dos constantes ataques de ambas as partes, não encontram um acordo de paz.

Europa: continua difícil a convivência na Irlanda do Norte, embora o Exército Republicano Irlandês (IRA) tenha começado a se desarmar. Continua problemático o processo de afirmação das identidades nacionais nos Bálcás.

América: O ambiente de relativa paz no continente contrasta com a guerra na Colômbia entre governo, guerrilhas de esquerda e milícias de extrema direita.

AS GUERRAS DOS RECURSOS

Não são somente as diferenças políticas, étnicas ou religiosas que alimentam as guerras civis, mas também a luta pelo controle dos diamantes, café, petróleo e outras matérias-prima de elevado valor.

Foi o que aconteceu recentemente com os rebeldes da Serra Leoa, que controlam a exploração e venda de diamantes para o exterior, e o que por muito tempo aconteceu na Angola metade do cofre de guerra da UNITA vinha das minas de diamantes.

Na maioria dos conflitos, as estátitiscas do Banco Mundial mostram que nove em cada dez vitimas não são combatentes. Os civis, sobretudo mulheres e crianças, são os grupos que mais vítimas registram nestas guerras, sem contar os milhões de refugiados a que deram origem.

E O FUTURO?

Michael T. Klare, autor do livro Guerras dos Recursos: O Novo Cenário Global dos Conflitos, assegura que os conflitos no século XXI vão crescer e multiplicar-se por causa dos recursos naturais, cada vez mais escassos e vitais.

O crescimento demográfico, as necessidades crescentes dos paises em desenvolvimento, o consumo desenfreado dos países ricos, as previsíveis alterações climáticas provocadas pelo efeito estufa e o fato de uma boa parte dos recursos naturais se encontrar em zonas fronteiriças, formam uma autêntica bomba, que poderá explodir a qualquer momento e em qualquer lugar, sobretudo nos países pobres, que não possuem recursos suficientes para apostar em alternativas ou recorrer à tecnologia para diminuir os efeitos da escassez de matérias-primas vitais.

Alguns dos recursos capazes de provocar tamanhas atrocidades:

PETROLEO: base para praticamente toda a economia mundial, ocupa o topo da tabela dos recursos escassos capazes de incendiar várias e vastas regiões.

Se o consumo de petróleo crescer à média de 2% ao ano, as reservas atualmente existentes desaparecerão nos próximos 25 ou 30 anos. E, mesmo contando com as novas descobertas, prevê-se que as primeiras falhas no abastecimento começarão a se fazer sentir na segunda ou terceira década deste século.

ÁGUA: o que se passa com a água é bastante semelhante. A reserva mundial de água potável é relativamente limitada e grande parte dela está "presa" em geleiras e icebergs. Do total realmente disponível, metade já está sendo usada pela humanidade .

O aumento da população e a melhoria das condições de vida exigem cada vez mais água. Se este padrão se mantiver, a humanidade estará usando 100% dos recursos já na primeira metade deste século, o que provocará graves falhas no abastecimento em algumas regiões.

Yitzhak Rabin, ex-primeiro-ministro de Israel, certo dia disse: "Ainda que consigamos solucionar todos e cada um dos problemas do Oriente Médio, se não se resolver o problema da água, a nossa região explodirá".

A MADEIRA: as florestas do planeta estão desaparecendo à média de 0,5% ao ano, o que equivale à perda de uma área florestal do tamanho da Inglaterra. Até agora, já consumimos aproximadamente 70% das florestas tropicais e 60% das existentes nas zonas temperadas.

As maiores manchas das florestas tropicais, tirando a Amazônia e a África central, encontram-se nas ilhas do Pacífico, em particular na Nova Guiné e no Bornéu, partilhada pela Indonésia, pela Malásia e pelo sultanato do Brunei. Nela, há mais de 20 anos, os indígenas lutam entre si pela pose da madeira e para plantar palmeiras produtoras de dendê.

A probabilidade de ocorrência de conflitos aumenta, sobretudo quando um recurso muito disputado é considerado tão valioso e lucrativo que nenhuma das partes se mostra disposta a perdê-lo.

A ÁFRICA DOS RECURSOS

A África, sobretudo a subsaariana, é um imenso reservatório das mais cobiçadas matérias-primas: petróleo, madeira, diamantes, minerais (bauxita, cobalto, cobre, ouro, manganês, platina, titânio e urânio).

Klare afirma: "Todos os pré-requisitos para a ocorrência de conflitos juntam-se aqui: vastas concentrações de matérias-primas vitais, numerosas disputas territoriais em áreas onde estas existem, instabilidade política, tribalismos generalizados, existência de exércitos privados e uma colaboração histórica entre as empresas estrangeiras que exploram as riquezas e os poderosos senhores da guerra".

O PERIGO DO CRESCIMENTO

Os Estados Unidos, o país mais rico do mundo, consomem, a cada ano, cerca de 30% de todas as matérias-primas utilizadas pelo conjunto da humanidade.

Desta maneira, é fácil imaginar o que sucederá quando nações populosas como a China, a Índia ou o Brasil se aproximarem desse padrão de consumo.

Dificil é também imaginar a conflitualidade que poderá desencadear a competição entre os grandes consumidores.

O PROBLEMA DAS ARMAS

Cada vez mais fáceis de manejar e de comprar, as armas alimentam e prolongam os conflitos, semeiam a violência e a morte, como também modificam a maneira de fazer a guerra e conquistar o poder. Basta citar que 500 milhões de armas circulam pelo mundo, e que todos os anos causam 500 mil mortes.

As armas são tão simples que uma criança de dez anos é facilmente transformável num soldado. Aliás, é por isso que os conflitos africanos mobilizaram mais de 250 mil crianças-soldados, pois encontram na guerra a única forma de vida.

ELIMINAR AS ARMAS

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, defende um acordo internacional para erradicar as armas leves, semelhante ao que levou a banir as minas antipessoais.

Sublinhando o uso deste tipo de armamento na criação e na manutenção dos conflitos, Kofi Annan lembrou:

  • Existem no mundo 500 milhões de armas leves (uma para cada 12 pessoas);
  • A cada dia que passa, as armas leves causam mais de mil mortes;
  • Em alguns locais, já é possível comprar uma AK-47 por 15 dólares ou por um saco de cereal.
  • Estimativas indicam que a violência, com o uso das armas leves, custa só à América Latina entre 140 e 170 bilhões de dólares/ ano.

Temos que reduzir os vastos estoques de armas existentes. As sociedades que saem dos conflitos devem desarmar seus ex-combatentes e ajuda-los a encontrar emprego.

Tudo isso é eficaz para a manutenção da paz.

O NEGÓCIO AMERICANO

Os Estados Unidos lideram, de longe, o negócio internacional de armas.
Segundo as estatísticas de 1999, as suas vendas representavam 54% de todas as
transações. O que representa o quádruplo das exportações do Reino Unido e 54 vezes mais do que as da China.

Embora os EUA possuam a meIhor legislação sobre a exportação de armamento, proibindo, por exemplo, que sejam fornecidas armas a facções envolvidas em atentados sistemáticos contra os direitos humanos, a realidade não respeita nem a letra nem o espírito da lei: em apenas uma década (de 1986 a 1995), os EUA venderam 42 bilhões de dólares de material bélico a facções envolvidas em 45 conflitos.

Das guerras étnicas ou territoriais que tiveram lugar em 1993/94, 90% foram alimentadas por material americano.

Ironicamente, muitas das armas "made in USA" vinham a cair nas mãos dos adversários dos norte-americanos. Basta recordar que, nos anos 80, os EUA forneceram seis bilhões de dólares em equipamento para os rebeldes afegãos, os talibãs que venceram a Rússia, e depois temidos pelos Estados Unidos.

Outro exemplo que nos toca de perto: em 99, quando as milícias indonésias massacravam os timorenses, estavam armadas com material norte-americano.

PAZ MUNDIAL: POSSÍVEL?

A Paz Mundial parece ser um sonho acalentado por todos os povos da Terra. Entretanto, sua realização parece tão distante quanto desejada, apesar do esforço contínuo de varias organizações mundiais.

Por trás de quase todas as guerras atuais movimentam-se os interesses das industrias bélicas, a disputa pelo domínio dos mercados e o controle dos recursos naturais estratégicos, como o petróleo, o gás, a madeira, a água...

A prolongada indiferença internacional diante das situações de inumana miséria que afetam grande parte da população mundial gera ressentimentos e revoltas contra os poucos paises que impõem esta nova ordem internacional.

O único caminho para a paz é o da superação das injustiças e das divergências, no quadro de um diálogo supervisionado por instâncias políticas e jurídicas internacionais que deveriam ser mais respeitadas e fortalecidas, como a ONU e o Tribu-nal Internacional de Haia, para onde, suspeitos de crimes de guerra ou terrorismo devem ser conduzidos, julgados e punidos.

Mauri Luiz Heerdt

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