Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Jovens

APRESENTAÇÃO

Talvez seja difícil para muitos imaginar uma preparação para a paternidade. Afinal, é tão comum gerar um filho sem nenhuma prepara ção, às vezes por um ?descuido?, outras vezes por um ?acidente e assim vai.

Lembro que uma vez estava auxiliando a ministrar o curso de noivos numa paróquia do sul catarinense e tive a curiosidade de perguntar aos noivos: Quantos de vocês já convivem na mesma casa? A resposta me deixou um tanto assustado: dos 26 casais presentes, 25 já moravam juntos. A maioria queria casar para poder batizar o filho na Igreja.

Essa situação, com certeza, não é a ideal. A preparação é muito importante, seja para o casamento, seja para o exercício da paternidade e da maternidade. Na presente reflexão, como estamos no mês de agosto, no qual celebramos o dia dos pais, vamos falar sobre esta dimensão tão importante da vida dos homens: a paternidade.

A EXPERIÊNCIA DE SER PAI

Outro dia um padre comentava: “Eu vivo o meu celibato com facilidade, mas sinto uma enorme vontade de educar um filho, de ser chamado de pai”. Isso bem demonstra como a paternidade é algo latente na vida.

Pessoalmente, considero a vocação de ser pai a experiência mais forte da vida. É bom demais chegar em casa às 23 horas e “ser assustado” pelo filho de dois anos escondido atrás da porta e receber aquele abraço e beijo. Todo o cansaço de um dia de trabalho é insignificante diante de tamanha alegria.

A pronúncia da palavra “pai” move um sentimento indescritível no homem. Talvez seja a palavra mais forte e mais emotiva de toda a vida. Parece que naquele momento há uma mistura de força e afeto, de autoridade e carinho, de proteção e cuidado.

A razão disso é muito clara: ter um filho significa uma grande oportunidade e uma grande missão. Oportunidade porque o filho ensina aos pais: é uma verdadeira escola de carinho e de sabedoria. É uma missão porque os pais, não há dúvida, são os principais responsáveis pela vida de um ser que nasce.

MATURIDADE

No entanto, e com absoluta certeza, não existe uma fase da vida que prepara especificamente para a paternidade. Todo o amadurecimento da vida é uma preparação para adquirir aquele mínimo de maturidade que ofereça condições de dar atenção, afeto e educação aos filhos.

Como não há amadurecimento igual nas pessoas, é difícil também falar se há uma idade ideal para ser pai. Diga-se também que, além da maturidade, existem outras questões externas que devem ser levadas em consideração, como: a preocupação com o estudo, o trabalho, o sustento do filho, etc.

Outro ponto importante é saber que existem momentos bem diferenciados na arte de ser pai, e eles iniciam antes mesmo da gravidez. Após a gravidez há o primeiro momento em que o pai precisa vencer o susto e se acostumar com a idéia da paternidade.

Importantíssima é a fase em que o principal canal de comunicação entre pai e filho é a barriga da mãe, as ultra-sonografias, os “chutes” do filho, etc. Os momentos que antecedem a chegada do filho exigem planejamento e ação especiais.

O nascimento do filho é, sem dúvida, o momento mais emocionante e que precisa ser preparado com grande atenção. As primeiras semanas após o nascimento, não raras vezes, exigem uma grande capacidade para enfrentar e superar certos desânimos e angústias. Afinal, são muitas coisas que podem mudar: noites sem dormir, choro, criança que não aceita leite, refluxo, febre, banho no bebê, trocar fraldas várias vezes ao dia, etc.

E assim continua, a cada época, a desafiante e emocionante arte de ser pai, que reserva novidades para cada tempo e idade.

PREPARAR-SE

Atualmente surgiram muitos cursos de preparação para auxiliar no exercício da paternidade, mas a maioria deles ensina apenas as coisas mais simples, como: trocar fraldas, fazer comida, dar banho, etc. Tudo isso não deixa de ser importante e necessário, no entanto, o mais difícil de se aprender é a arte de educar.

Sempre pensei nisso, mesmo antes de ser pai. Aos poucos, cheguei à seguinte e simples conclusão: posso aprender com os outros! Para isso preciso observar, observar e observar. E o primeiro a ser observado é o nosso próprio pai. O que nós gostávamos e gostamos que ele faça em nós e por nós?

Um dia eu e meu pai estávamos construindo um galinheiro, acredito que estava com sete ou oito anos. Disse a meu pai: - Pai, acho que assim fica melhor! Ele pensou e afirmou: - É, você tem razão! Acredito que esta é uma característica fundamental da paternidade: fazer com que o filho se sinta importante, valorizado.

Podemos observar também outros pais. Quanta coisa boa escutamos de pais que são verdadeiros exemplos de sabedoria, de presença e de afeto! O outro lado da moeda é importante da mesma forma: perceber o que certos pais fazem e que não está certo, como: o vício do alcoolismo, das drogas, as discussões e brigas, a indiferença, a frieza, etc.

A leitura de revistas e livros, a participação em cursos e retiros e a reflexão sobre o assunto nos diversos grupos (de jovens, catequese, escola, clubes, associações, famílias...) são imprescindíveis.

Por fim, o que não pode faltar é a espiritualidade e o diálogo entre o casal.

PAI: UM SER HUMANO

Para o escritor Moacyr Castellani, se o trato diário com amigos e colegas já exige uma boa dose de atenção, compreensão e respeito, o bom convívio entre pais e filhos exige ainda mais. Não é fácil ser pai diante da vigilância de uma sociedade que cobra estabilidade e perfeição de um personagem que é essencialmente humano.

Não adianta se obrigar a cumprir um padrão, assumir uma conduta que não corresponda à realidade interior. Os filhos necessitam, sobretudo, de uma referência, do exemplo dos pais, de atitudes que convencem. Aquela história do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” é um desastre.

O pai precisa tomar cuidado para não projetar no filho as próprias frustrações ou anseios. Muitos pais buscam realização pessoal no sucesso dos filhos. Gostariam que fossem seus seguidores, que realizem tudo o que eles próprios não conseguiram ao longo da vida.

UM ETERNO APRENDER

Ser pai é um eterno aprender. Afinal, ser bom pai é ser um bom homem. É acreditar na própria capacidade. É saber apreciar novos encontros e relações.

É ser humano, compreendendo os limites que a vida nos coloca, mas nunca fugindo das oportunidades que ela nos traz.

Embora a nossa época sofra de uma grave perda de valores e o exercício da paternidade se encontre fragilizado por razões familiares e sociais, vale a pena investir a vida no empreendimento mais valioso: os filhos.

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