Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Jovens

Como trabalhar com os jovens no Novo Milênio?

É o desafio que esta reflexão quer aprofundar, apresentando algumas sugestões

Para início de conversa, é importante deixar claro que certas respostas já não servem mais aos desafios de evangelizar a atual geração de jovens. Os sinais dos tempos indicam que precisamos buscar respostas às novas questões que estão emergindo na Pastoral da Juventude.

NOVA REALIDADE

Pe. Hilário Dick, questionado sobre a missão da Pastoral da Juventude no Novo Milênio, responde que, o que está em jogo, não é simplesmente a questão de um outro milênio, mas a missão no futuro. E a melhor forma de preparar-se para o futuro é viver bem o presente.

Por isso é missão da PJ enfrentar, com seriedade, o presente. Olhar o futuro é saber ler o presente. O presente verdadeiro é aquele que tem projeção porque se olha os fatos com suas causas e conseqüências.

A missão no Novo Milênio fica mais clara se soubermos ver o presente: o presente da sociedade, do jovem, da Igreja, da política, da arte, da economia... e dar-lhe as respostas que julgamos mais acertadas para que haja educação, saúde, partilha, trabalho e vida para todos.

A PJ precisa pisar firme no chão da realidade atual, mas já orientado para a utopia que sonha.

Pe. Jorge Boran oferece alguns enfoques importantes, que seguramente devem constar na bagagem de quem quer começar o novo milênio com um renovado ardor pela Pastoral da Juventude.

1 - Dar prioridade à experiência sobre a teoria

Já é hora de deixarmos de lado os discursos baseados em projetos ideais e de linguagem elevada, para apostar em propostas concretas e experiências “pé no chão”. Os jovens precisam experimentar aquilo a que se propõem. Nos pequenos grupos, precisam se sentir em casa e aceitos naquilo que são e fazem. Normalmente, eles não estão propensos a escutar muita teoria, querem primeiro experimentar as coisas.

Daí o porquê de acentuar a experiência que desperte a emoção, a criatividade, a expressão corporal e uma maior integração da vida de grupo.

A sede de Deus é uma característica da juventude atual

2 - Realizar projetos concretos

É importante que os jovens experimentem de imediato o êxito das atividades nas quais estão envolvidos. Hoje, para qualquer jovem, além de participar de um grupo de Igreja, há inúmeras outras opções bem mais chamativas. Se em nossas reuniões de grupo e de coordenação não houver clareza de objetivos e realizações concretas, não haverá também perseverança. Os grupos precisam ter objetivos concretos, viáveis e motivados pelos próprios jovens.

3 - Facilitar a realização de encontros ...

Trata-se aqui de realizar atividades, encontros, maratonas, cursos, como meios para despertar os jovens e formar novos grupos. Importante é colocar uma forte mística em tudo isso. Para eles é altamente atraente, num final de semana, saírem juntos para ir a lugares diferentes, num ambiente alegre, encontrar-se com outros jovens, cantar e falar de assuntos próprios de sua idade.

Neste sentido, é bom realizar atividades que possam ser multiplicadas pelos próprios jovens e, conseqüentemente, venham agregar outros mais nesta corrente. E quando os meios não servem em lugares distintos, não se tenha medo de buscar novas experiências do jeito e no espírito da pastoral da juventude.

4 - Integrar o racional com o simbólico

Muitos concordam em dizer que por causa da super-valorização da dimensão racional, muitos jovens acabaram não se sentindo mais em casa na pastoral da juventude. Pouca importância deu-se aos símbolos, mitos e rituais presentes na juventude. Hoje há muito mais clareza quanto a isso. Fala-se até da “inteligência emocional”, tão importante, quanto a “inteligência intelectual”.

O relacionamento humano, a atenção às pessoas é a porta de entrada para a mensagem religiosa. Cuide-se, no entanto, para não reduzir a ação pastoral ao nível dos sentimentos, o que seria atuar sem consciência crítica e sem compromisso de transformação. Nossa tarefa é de harmonizar estes aspectos da emoção e sentimentos com os da razão. A pastoral da Juventude precisa fazer esta integração do racional com as outras dimensões da vida jovem.

Jovens participantes do Encontro Mundial da Juventude em Roma

 

OS JOVENS SURPREENDERAM

Foi maravilhoso, extraordinário, entusiasmante...!

São expressões repetidas por Simone, Laura, Claudia, Francisco, Tomás e Paula, após participaram do último Encontro Mundial da Juventude em Roma.

Eis as impressões que eles deixaram ao nosso jornal.
Missão Jovem - Afinal, qual a diferença entre o encontro de milhões de jovens com o Papa e um mega-show?

Simone: É o motivo do encontro que faz a diferença. Nós fomos porque acreditamos, porque buscávamos algo maior para a nossa vida.

Francisco: Minha fé ficou fortalecida. Entendi que não era um jovem isolado, mas que outros dois milhões de jovens acreditavam comigo num mesmo ideal.

Claudia: Num show, posso me entusiasmar por um cantor popular. Em Roma, nós mesmos éramos o espetáculo. A gente cantava, dançava, rezava... Ao ver aquela multidão, tive a clara convicção de que Deus amava a cada um como se fosse seu único filho. A emoção foi demais: só quem viu pode entender o que nós vimos e ouvimos naquela semana.

Missão Jovem: Mas será que não se tratava de pura euforia, pelo fato de estarem aí, juntos, jovens de muitas raças e nações... ou era mesmo fruto de muita fé e esperança?

Paula: Tenho plena certeza. Já participei e me envolvi em muitos encontros de jovens, mas nunca provei algo tão forte. Todos vivíamos uns pelos outros, numa semana de amizade indescritível, sempre disponíveis, sem que ninguém criasse a mínima confusão.

Francisco: Concordo. Havia milhares de policiais pelas ruas e nos ambientes de Roma onde se encontravam mais de dois milhões de jovens. Mas, acredite se quiser, nunca precisaram intervir. A amizade por si só não explica este clima de total fraternidade. Um simples gesto ou olhar era suficiente para nos entendermos perfeitamente.

Missão Jovem: Mas, afinal, o que tem de especial este Papa que chega

a encantar encantar tanto os jovens?

Paula: Vamos logo esclarecer: nós não estávamos lá por causa do Papa. É verdade que o Papa, apesar de sua idade, ainda sabe lidar com os jovens, mas o que fazia vibrar os jovens e o próprio Papa era o fato de nos sentirmos unidos na mesma fé e num mesmo projeto.

Sara: É, mas a presença do papa também foi importante. Ele tem um profundo amor pelos jovens. Eu tive a felicidade de vê-lo de perto: ele tem um olhar doce e quase ingênuo de um menino, seus gestos são espontâneos e verdadeiros. Para mim, João Paulo II não é um personagem qualquer, sinto nele a presença misteriosa de Jesus.

Tomás: A expressão que ele sempre repetia: “Jovens, não tenhais medo, Deus vos ama” teve um impacto tão grande em minha vida que afastou nuvens obscuras e, como nunca, naqueles dias senti forte a presença de Deus em minha vida.

Missão Jovem: Certamente nem tudo foi fácil.

Laura: Isso também é verdade. Houve momentos de muita dificuldade. Quando cheguei a Torre Vergata, após quatro horas de caminhada debaixo de um sol fortíssimo, pensei: nunca mais! Mas, encontrando-me no meio daquela multidão de jovens dos cinco continentes, o meu cansaço desapareceu.

Francisco: Uma certeza que eu trouxe para casa é que os jovens tem muita sensibilidade pela fé e que, apesar de suas falhas, amam a Igreja. Isso me dá força para continuar meu trabalho. Não somos muitos a crer, mas estamos espalhados no mundo inteiro. E quando nos encontramos somos uma multidão que não acaba. Isso, entre outras coisas, me convenceu da grande importância de multiplicar, também em nossas dioceses, esses tipos de encontros. A gente se sente mais forte.

Laura: Infelizmente temos poucos formadores bem preparados. Isso nos impede de realizar uma pastoral mais aprimorada. Contudo, depois dessa experiência, devemos arregaçar as mangas e colocar para fora tudo o que recebemos. É essa a tarefa que o Papa entregou aos dois milhões de jovens quando disse: “Levem e comuniquem seu entusiasmo aos jovens do mundo inteiro”.

5 - Levar em conta o nível de escolaridade

Ocorre que, nos últimos anos, sobretudo pela ação da TV e pelo fato de fazer as coisas sem pensar com profundidade, criou-se a cultura da imagem e, conseqüentemente, uma geração que lê muito pouco. É impressionante o baixo nível de escolaridade existente entre os jovens. Portanto, manter uma pastoral que privilegia somente textos e documentos, certamente não alcançará muitos êxitos, pois a maioria dos jovens encontrará dificuldades em acompanhar o discurso abstrato. Na Pastoral da Juventude se exige uma metodologia mais flexível e em sintonia com a cultura da imagem. Evidentemente que nada impede que jovens de maior caminhada tenham textos de fundamentação teórica e instrumentos de estudo.

6 - Aproveitar a volta ao sagrado

O contexto da cultura pós-moderna, em que vivemos e a crise de valores causada pelo secularismo, trouxe a volta à religião e à espiritualidade. Por toda parte nota-se esta abertura ao transcendente e ao sagrado. Porém, há que se ter uma certa cautela quanto a isso, pois vivemos um tempo de contradições e sem pontos de referência seguros. De certo modo, a atual geração de jovens demonstra pouco senso de solidariedade com os pobres e grupos marginalizados. Contudo, acima de tudo isso, não há dúvidas de que o tempo é propício para a acolhida, atividades junto aos jovens e possibilidade de buscar também uma espiritualidade libertadora e encarnada.

7 - Enfocar a centralidade em Jesus Cristo

Até bem pouco tempo, na pastoral da juventude, não foi possível considerar a importância de alguns elementos de nossa identidade cristã. Faltava uma visão mais abrangente para assumir o que hoje consideramos importante,tais como: a formação teológica, a pertença a vida da Igreja, a Eucaristia, a oração e sobretudo a centralidade da fé pessoal em Jesus Cristo. Não há dúvidas de que a Pastoral da Juventude precisa garantir uma formação integral e que, no seguimento a Jesus, leve em conta estes elementos de nossa fé.

8 – Integrar valores individuais e coletivos

Até bem pouco tempo havia entre nós um acento maior no ideal coletivo, muitas vezes deixando em segundo plano as necessidades pessoais e os sentimentos. Hoje sabemos que a ação pastoral precisa também considerar a formação humana e emocional, em vista de uma personalidade saudável e madura.

Deve ser também objetivo da Pastoral da Juventude preparar os jovens para relações pessoais sociais, para o exercício da cidadania e da consciência crítica. O individual e o coletivo são como duas partes que formam um todo.

9 - Aprender a somar forças

Há muitas maneiras de ser Igreja. A Pastoral da Juventude não pode ser o único caminho de atuação junto aos jovens. Precisamos crescer ainda, para superar preconceitos e aceitar o pluralismo na ação pastoral. Tanto os movimentos de jovens, quanto a Pastoral da Juventude, podem e devem aprender um com o outro, com a necessária maturidade de ambas as partes, para ver falhas e superar brigas internas.

O reconhecimento de que, embora juntos, só atingem uma pequena parcela da juventude, já é motivo mais que suficiente para somar forças e trabalhar em conjunto, assumindo princípios pastorais comuns e com opções de conjunto.

Grupo de Jovem da Paroquia

Milton Zonta

Para Refletir

1. Quais os principais desafios da PJ ?
2. Como está a nossa caminhada em relação ao conteúdo apresentado?
3. Como integrar estes conteúdos em nossa caminhada?

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