Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Igreja no Mundo

um mundo controlado pelas nações ricas e poderosas, a África tornou-se praticamente um continente esquecido e abandonado, um apêndice sem importância. O continente africano pode ser comparado àquele homem que, descendo de Jerusalém para Jericó, caindo nas mãos dos salteadores, depois de o despojarem, encheramno de pancadas e o abandonaram, deixando-o meio morto”.

Exortação Apostólica Pós-Sinodal:
Ecclesia in África


Vamos conhecer melhor a África para a amarmos mais e apreciarmos seus valores. Com sua rica variedade cultural, vivida pelos seus 830.516.000 habitantes, a África está organizada em 53 países e seus habitantes falam 2011 línguas. Vamos começar falando brevemente da presença cristã no continente.

O CRISTIANISMO NA ÁFRICA

Para uma melhor compreensão, dividimos a difusão do Evangelho na África em três fases:

• Na Primeira fase, o cristianismo difundiu-se no Egito e na África do Norte. Num período relativamente breve, surgiram, naquela região, mais de 300 dioceses.

Estas Igrejas estiveram na vanguarda, tanto no estudo teológico como na expressão literária.

Cito somente alguns de seus grandes teólogos e santos:

Orígenes, Santo Atanásio e São Cirilo, Tertuliano, são Cipriano, Sto. Agostinho, Santo Antão, Santa Felicidade e Perpétua, Santa Mônica e Santa Clara. No entanto, com a invasão dos Vândalos, no século V e a dominação dos Mulçumanos no século VII, esta Igreja tão florescente praticamente desapareceu. Desta primeira fase subsistem, no norte da África, algumas igrejas cristãs, não ligadas a Roma, mas com as quais está havendo uma crescente comunhão.

Tratase da Igreja Grega do Patriarcado de Alexandria, da Igreja Copta do Egito e da Etiópia.

• Uma segunda fase deu-se nos séculos XV e XVI. Com a exploração da costa africana pelos portugueses, o cristianismo chegou ao Sul do Saara, atingindo a costa Ocidental e Oriental da África. Esta fase também acabou no século XVIII, quando a maioria dessas missões desapareceu.

• Uma terceira fase deu-se século XIX, caracterizada pelo esforço extraordinário de grandes apóstolos como São Daniel Comboni, no Sudão, o Cardeal Massaia, na Etiópia, e muitos outros missionários que, afetados por doenças tropicais, doaram prematuramente a vida. Merecem ser lembrados os mártires Isidoro Bakanja e a irmã Clementina Anwarite, ambos do Zaire.

SITUAÇÃO DA IGREJA HOJE

A África é o continente onde mais cresce a Igreja católica. Quase que inexistente ou minoritária em certos países, em outros, é bem representada e, às vezes, maioria. Sua atuação é marcante no anúncio da Boa Nova e se destaca também na atuação social, nos mais diversos campos da promoção humana. No campo da saúde, as instituições católicas representam mais de 17% do total das estruturas sanitárias do Continente. Ao mesmo tempo, os valores da cultura africana, muito têm para enriquecer a própria religião cristã. Podemos destacar seu profundo sentido religioso, a valorização da família, a crença na vida após a morte e da comunhão com os mortos, o respeito à vida desde a concepção, a acolhida aos anciãos e parentes, a vivência da solidariedade e da vida comunitária e outros.

DESAFIOS E PREOCUPAÇÕES

  • Uma evangelização realizada em profundidade;
  • A superação das divisões que dificultam a pacífica coexistência de grupos étnicos, tradições, línguas e mesmo religiões tão diversificados;
  • O matrimônio cristão e a promoção das vocações ao sacerdócio e à vida consagrada;
  • Um futuro que, devido à extrema pobreza, não oferece esperança, sobretudo para os jovens;
  • O problema dos refugiados e deslocados, como também a dívida internacional;
  • O flagelo da AIDS que atinge um largo percentual dos africanos;
  • A s múltiplas guerras que assolam o continente;
  • A promoção da dignidade da mulher africana.

INCULTURAR É PRECISO

A inculturação é a maior urgência e o mais difícil desafio da evangelização no continente africano.

Isso foi evidenciado no documento final do Sínodo Africano:

“Tal como ‘o Verbo Se fez carne e veio habitar entre nós’ (Jo 1,14), assim também a Boa Nova, a palavra de Jesus Cristo anunciada às nações, deve entranhar-se no ambiente de vida dos seus ouvintes”. (Ecclesia in África)

O anúncio de Cristo deve ser feito de forma inculturada, isto é:


- preservando a comunhão com a Igreja Universal e todos os valores africanos autênticos. Com efeito, “a encarnação do Filho de Deus, deu-se, de forma integral e concreta, numa cultura específica”. No caminho da inculturação, a Igreja católica busca também o diálogo com as outras igrejas cristãs, com os mulçumanos e com as religiões tradicionais. Intenso é também seu trabalho pelo desenvolvimento humano integral, em todas as suas dimensões, buscando reerguer a dignidade humana, resgatada pela encarnação do Filho de Deus.

IGREJA MISSIONÁRIA

Alegra a jovem Igreja africana o crescimento de suas lideranças. Os catequistas, como exemplo, são uma presença marcante e permanente no dia a dia da vida comunitária. Eles desempenham um papel que vai além do dar a catequese, pois eles mesmos coordenam a comunidadee a acompanham, estando à frente das celebrações, no atendimento aos enfermos e necessitados e em tudo que a comunidade precisar. O crescimento da mentalidade missionária é outra prova do amadurecimento da Igreja africana. E os resultados não faltam.

Cada vez mais numerosos são os missionários que ultrapassam as fronteiras dos seus países para levar o alegre anúncio a outros países segundo as necessidades.”(Dom Nikola Eterovic) Considerável é também o empenho no social. Isso faz parte das preocupações da Igreja chamada a edificar o Reino de Deus, buscando a justiça e a paz, sendo sal da terra, incentivando uma boa gestão da vida pública e ajudando as nações na superação de profundas diferenças e antigos ressentimentos de natureza étnica, como também em sua difícil e complexa integração na ordem mundial.

Existem na África dois problemas que a Igreja sempre enfrentou e condenou por serem de uma gravidade extraordinária:

1.º A criança-soldado: Muitas vezes ela tem menos de dez anos. Acredita-se que na África existiam pelo menos 200 mil delas. Seu “alistamento” quase sempre acontece de forma brutal e servem de escudo para o exército dos adultos.

2.º O refugiado: Pode ser um homem, uma mulher, uma criança ou um idoso que foi obrigado a deixar o local onde vivia para escapar da guerra e de seu cortejo de horrores. Cerca de 30% dos refugiados do mundo atual encontramse em solo africano.

PARA DIALOGAR E AGIR:

1.º Que outros aspectos da África e da Igreja na África podemos ressaltar?

2.º O que a Igreja do Brasil e nossa comunidade podem realizar concretamente para ajudar à África?

3.º Conhece algum(a) missionário(a) que trabalha na África?
Que tal se comunicar com ele para conhecer melhor sua realidade e seu trabalho?

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