Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Educação

Vamos a mais um espetáculo. Esperamos que a “Celebração das Águas”, publicada na edição de Junho/03 tenha sido levada a sério pelos grupos que preparam os teatros. Empenhemos-nos para tornar as celebrações comunitárias espaços de vida. Mas vamos ao nosso teatro do Dia dos Pais que deverá ser tão especial quanto o do Dia das Mães, “Mães Órfãs”. Recebemos muitas mensagens falando do êxito deste teatro. Parabéns a todos nós! Lembrem-se: Muito ensaio e humildade, este é o segredo.

Coloca-se uma trilha sonora (veja dica) e, ao centro do palco, um homem caminha vestido com várias peças de roupa como: terno e camiseta por baixo, tênis num pé e noutro sandália, bermudão..., seu rosto, porém, deve estar coberto por tiras de pano para dar a impressão de que ele não tem face. Nesta apresentação vamos explorar bem a dicção e expressão.

PAI (imponente): Até a pouco tempo meu papel na família era fácil e simples. Pão na mesa e pronto! Mas hoje? Tudo mudou! Os filhos não querem mais nem saber de um pai como foi meu pai. (reflexivo) Mas então: Como é que deve ser um Pai?

Ele fica congelado no centro do palco. Começam a surgir os personagens. Eles andam freneticamente pelo palco declamando seus textos. Muda-se a trilha sonora. Depois de um tempo, um a um vão à frente do pai e declamam suas frases para a platéia. Enquanto o personagem recita, os outros congelam e, após a fala, voltam a andar no mesmo ritmo e continuando o falatório.

FILHO 1 (indignado): Meu pai têm um montão de amigos e vive mais com eles do que comigo!

FILHO 1 (triste): Como gostaria de ter um pai. Infelizmente ele morreu antes que eu nascesse!

FILHO 2 (euforico): Hoje vai ser um dia super legal: meu pai e eu vamos pescar.
Ele é um pescador de sorte!

FILHO 2 (desabafo): Como gostaria ouvir de meu pai, pelo menos uma vez: Filha, eu te amo!

FILHO 3 (alegre): Hoje eu e ele fizemos tantas brincadeiras juntos. Foi o máximo! Meu pai é fera!

FILHO 3 (apaixonada): Olhem só como é bonito este colar de palha que ganhei. É um charme só! E não pensem que ganhei-o do meu namorado não. Foi meu paizão! Sou literalmente apaixonada por ele!

FILHO 4 (descrente): Gostaria muito de dizer-lhe o quanto ele é importante para mim, mas, infelizmente, nunca tivemos intimidade para isso!

FILHO 4 (esperançosa): Acho que um dia ele voltará! Meu coração sente isso! Volta pai, você me faz muita falta!

A este ponto, todos diminuem os passos e ficam em silêncio. Aos poucos, e de cabeça baixa, saem de cena. Volta-se a trilha anterior. O pai que estava congelado no centro do palco fala.

PAI: Estou muito preocupado. Será que eu, pai, sou ainda tão importante como fui até agora? Sinceramente, não tenho mais clareza sobre qual seja realmente o meu papel de pai! É isso mesmo: Algumas mulheres chegaram a afirmar que já não somos mais necessários. Que elas podem muito bem criar os filhos sozinhas. Não sei de que tipo de pais estavam falando..., mas era mesmo de pai. (reflexivo) Como deve ser então um pai?

Neste momento congela-se novamente. Entra um personagem ‘velhinho’.
Falando com a platéia ele, oportunamente , abraça o pai num gesto de companheirismo.

VELHINHO: (sereno e sorridente) É..., completaram-se 42 anos de exercício neste mandato (sorrisos). Naquele tempo era mais fácil ser pai. Era só fazer cara de bravo e dizer ‘não!’ Mas, não pensem que ser pai, naquele tempo era só isso, não... Embora houvesse muito respeito e silêncio quando eu tossia propositalmente, o medo logo desaparecia quando, aos pés da cama, contava histórias de minha infância até que eles dormissem. Fui pai e continuarei sendo, naturalmente..., com uns retoques! Ser pai é um presente de Deus que continua até a morte. É muito bonito ser pai!

O velhinho se afasta e continua a olhar o pai que está congelado. Nisso entram, um a um, os filhos. Cada um, por vez, desamarra uma fita do rosto do pai e declama o seu texto. (valorizem a expressão corporal)

FILHA 3: Ser pai é...Ter um dia ficado nervoso, com medo de algum imprevisto, mas ter se sentido orgulhoso e cheio de felicidade ao tomar nos braços o filho recém-nascido.

FILHO 4: Ser pai é... Ter olhado com indignação para a criança de rua que incomodava seu descanso, mas ter sido vencido pelo amor e ter adotado e educado-o com carinho.

FILHO 2: Ser pai é... Ter perdido o emprego por ter chegado tarde, pois era mais importante a vida do filho. Sim, por ele passou inúmeras noites em claro junto com sua amada esposa e companheira.

FILHO 1: Ser pai é... Ter visto o rosto do filho molhado de lágrimas ao repreende-lo em alguma traquinagem, mas, momentos depois, estava já brincando com ele, como amigos, como se nada tivesse acontecido.

FILHA 1: Ser pai é... Entristecer-se ao ver o filho adolescente cansado da vida, sentindo-se fracassado..., e, logo, ter procurado compreendê-lo, dando-lhe ânimo e coragem que só um pai consegue fazer.

FILHO 3: Ser pai é... Ter perdido o filho para o mundo dos vícios, do roubo, da violência..., mas ter reservado sempre em seu coração um lugar exclusivo para o seu retorno.

FILHO 2: Ser pai é...Ter sacrificado a vida toda trabalhando para deixar alguma herança para os filhos e, embora esquecido num asilo, não esquece dos filhos, alegrando-se por saber que estão bem. (vai na direção do velhinho e o abraça)

FILHA 4: Ser pai é... Brincar feliz, feito criança, com seus netos.

FILHO 1: Ser pai é... Ser amigo!

O pai deve estar com o rosto todo descoberto. Abraça e beija um a um os personagem.

PAI: Minhas filhas e meus filhos queridos. Confesso que nem sempre fui um pai como vocês esperavam e mereciam. Me desculpem! Mas, podem acreditar, sempre vos amei com ternura. Vou esforçar-me para compreender vocês e o mundo de vocês. Se não conseguir, me compreendam, pois se o meu jeito de ser é estranho para vocês, imaginem eu conviver com a realidade dos piercings, gírias, gestos, tatuagens que vocês adoram. Uma coisa eu garanto, tudo farei para ser o paizão de que vocês gostam.

VELHINHO: (aproxima-se do pai batendo palmas e diz) Gostei e estou plenamente de acordo com o pai de vocês. Digo mais: embora sabendo que ser pai, nos dias de hoje, é barra pesada para qualquer um, ele respondeu muito bem à pergunta que o torturava: o que é ser pai. Ele mesmo deu a resposta certa: Ser pai é ser um amigo! Será que Deus Pai não foi assim. Para todos nós sempre foi e continua sendo um paizão!

FILHO 1: Amigas e amigos, convido a todos para se levantarem e cantarmos juntos uma bela canção em honra de nossos pais e de todos os pais do cinco continentes! (terminar com salvas de palmas e abraçando o pai e o velhinho).

DICAS

  • Quanto às trilhas sonoras, eu indico o CD Silence vol. n.º 5 (Editora Paulus).
    Acessem nosso site www.missaojovem.com.br/teatro.htm
  • Quanto à música final relacionada aos pais, existem várias.
    Eu lembro àquela do Fábio Júnior (Pai) que embora seja de 1979, é muito conhecida.
  • E sucesso para todos.
    Lembrem-se, o teatro presta um grande serviço à comunidade se for apresentado com seriedade.

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