Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Campanha da Fraternidade

Campanha da Fraternidade 2005 - Ecumênica
Solidariedade e Paz

s Igrejas-membro do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) promovem este ano a segunda Campanha da Fraternidade Ecumênica, com o tema: "Solidariedade e Paz" e o lema: "Felizes os que promovem a paz" (Mt 5,9), continuando a caminhada iniciada com a CF 2000, que também foi Ecumênica. O objetivo da campanha deste ano é: "Unir Igrejas cristãs e pessoas de boa vontade na superação da violência,promovendo a solidariedade e a construção de uma cultura de paz". A Redação do Missão Jovem, servindo-se do texto-base, apresenta os pontos chaves desta campanha, seguidos de uma proposta de ação em favor da Solidariedade e da Paz.

1. A Bíblia e a boa-nova da paz

“Escuto o que diz Deus, o Senhor: Ele diz: ‘Paz’” (Sl 85(84),9).

Paz é o conceito básico na Bíblia. O termo aparece na Escritura 239 vezes e abrange muitos significados: bem-estar, felicidade, saúde, segurança e relações sociais equilibradas; harmonia consigo mesmo, com o próximo e com Deus.

• Desde o começo, a Bíblia aponta para a solidariedade e a paz: O capítulo 2 do Gênesis apresenta o paraíso onde existe harmonia entre as pessoas, com a natureza e com Deus. Contudo, o pecado destruiu essa harmonia.

• Profetas denunciam a violência e pedem a paz: Mas Deus não se deixa derrotar pelo mal e, por meio dos profetas, anuncia o tipo de religião que lhe agrada. (Ver Am 8,4; Os 6,6; Is 2,2 5; Mq 4,4; Jr 6,14). O povo, em suas orações, também se dirige a Deus como promotor da paz. (Ver Sl 46; Sl 85; Sl 120; Sl 122).

• Jesus nos deu a paz: Deus intervém, enfim, através de Jesus, que aponta caminhos de paz. Os remédios que Jesus aponta vão na contramão da violência: caridade, amor fraterno, perdão, solidariedade, resgate do pecador, reintegração de excluídos.

• Marcas das primeiras comunidades cristãs: Nos primeiros séculos do cristianismo, pode-se verificar um conjunto de ensinamentos e práticas marcados pelo empenho em prol da solidariedade e da paz, que constituem um patrimônio comum de todas as Igrejas

2. Caminho da paz em nosso tempo

“Eu vos darei um futuro e uma esperança” (Jr 29,11).

A humanidade tem convivido com a violência e até com verdadeiros massacres. A tecnologia, que deveria estar a serviço da vida, muitas vezes gera situações ameaçadoras. No entanto, há também um progresso na consciência coletiva, que valoriza os direitos humanos e possibilita ações em favor da paz.

• O panorama internacional mostra que os povos têm cedido quase sempre à tentação da guerra como solução ilusória de situações conflitivas. O planeta também corre riscos e sofre agressões. Infelizmente, as próprias religiões muitas vezes atuam como fatores de violência. Por outro lado, vemos pessoas, grupos e instituições lutando em favor da paz. Está nascendouma “cultura da paz” nas brechas de uma sociedade violenta.

• Panorama brasileiro: No Brasil, quando se fala em violência, normalmente se pensa em fatos ligados à vida urbana: assaltos, seqüestros, chacinas, violência do trânsito e crimes com o uso de armas de fogo. No entanto, não podemos esquecer a violência rural, causada sobretudo pela falta de uma verdadeira reforma agrária. O crime organizado também ganha mais espaço, com formas de ação que a diferenciam da quadrilha e do bando tradicionais. Há também formas de violência econômica, cultural e estrutural. Embora triste, esse panorama tem gerado muitas iniciativas de caráter solidário como: Pastoral da Criança; Rede Gandhi; Semana Social Brasileira; entre outros.

3. Solidariedade e paz, superando a violência

“Um mandamento novo eu vos dou: amai-vos uns aos outros...”. (cf. Jo 13,34-35)

• Construção da paz: Como nem toda ordem é justa, a ordem criada deve sempre se confrontar com a ética. A paz se conquista na lida diária, eos seus construtores devem tornar-se eles mesmos instrumentos de paz.

• Reações à injustiça: Embora existam sinais positivos, a sociedade não enxerga ainda a necessidade da participação ativa e comunitária na solução dos problemas. Ainda não pensamos em curar com a mesma eficácia com que se pensa em reprimir os que erram.

• Lógica da retribuição X Lógica da solidariedade: A solidariedade previne a violência, a retribuição pode ser a pura vingança e não leva em conta a possibilidade de recuperação dos agressores.

Eis algumas atitudes da lógica da solidariedade:

  • Não-violência ativa;
  • Não-cooperação;
  • Intervenção não violenta.

DE PÉ, CONSTRUTORES DA PAZ!
Vista a camisa e carregue a bandeira da Paz!

Nos poucos dias que passei na Itália, em agosto de 2004, vi algo que me impressionou muito. A maioria das casas possuía bandeiras estendidas nas varandas com as cores do arco-íris e, em destaque, a palavra PAZ.

Fiquei curioso e perguntei: qual seria o motivo de tantas bandeiras? A resposta foi imediata: será que o senhor está por fora dos graves acontecimentos do mundo? De fato, estava para ser declarada a guerra contra o Iraque!

Calcula-se que três milhões de bandeiras pela paz foram estendidas na Itália e cerca de 10 milhões de pessoas estavam unidas no mesmo ideal, a PAZ. Aquela campanha queria ensinar que a paz se constrói com a contribuição de cada um.

Pe. Paulo de Coppi

E NÓS?

Ao refletir sobre a Campanha da Fraternidade de 2005, lembrei-me das bandeiras italianas e comecei a sonhar: Por que não realizar uma campanha deste tipo no Brasil, com o mesmo entusiasmo e usando símbolos que ajudem as comunidades cristãs, escolas, grupos e outras entidades a refletirem sobre as problemáticas levantadas pela CF-2005?

4. Guiados pelos caminhos da paz

“Vinde benditos do meu Pai, recebei em herança o Reino que foi preparado para vós...”
(cf. Mt 25,34-36).

• Testemunhas da paz: A humanidade, instintivamente, sabe que precisa de gente que se importe com o que acontece a outras pessoas, e que faça isso de modo pacífico. São admiradas internacionalmente pessoas como Gandhi (hindu), Madre Teresa de Calcutá (católica), Albert Schweitzer (luterano), Martin Luther King (batista), Dom Hélder Câmara (católico), Desmond Tutu (anglicano) e Nelson Mandela (metodista), que souberam direcionar suas forças em prol de um mundo melhor, buscando a justiça pelo caminho da paz.

• Ação das igrejas: igrejas não são apenas comunidades de culto. Todas elas, de alguma forma, se importam com o que acontece na sociedade e têm projetos de cunho social. O textobase sugere que cada igreja divulgue seu próprio trabalho e aproveite o momento para uma avaliação participativa.

• Nasce uma nova consciência: Independentemente das igrejas, existem muitas iniciativas de pessoas e organizações que trabalham pela paz.

• Estatutos e leis: A CF destaca três instrumentos legais que podem servir de apoio para ações
solidárias: o Estatuto do Desarmamento, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Estatuto do Idoso.

5. Propostas para a ação

• Educação para a paz nas comunidades: A paz, por se tratar de uma realidade construída pela comunidade humana, pode ser ensinada e aprendida.

• Oração insistente pela paz.

• Educar para a resolução não violenta: É preciso mudar mentalidades e comportamentos.

• Ambientes de paz: Cada comunidade deve pro-mover um convívio respeitoso, fraterno, alegre e solidário entre seus próprios fiéis e no relacionamento com outros cristãos e cristãs.

• Construção de uma democracia participativa e solidária: O Brasil vive ainda um processo de transição democrática. O povo ainda participa pouco.

• Ações específicas sugeridas pela criatividade de cada comunidade.

A PAZ PRECISA SER CONSTRUÍDA

Eis aí o grande anseio da humanidade e a promessa de Deus, anunciada com alegria na Noite de Natal, “Glória a Deus nas alturas e paz na terra àqueles que Deus ama”. A paz é o dom do amor de Deus que Jesus veio proclamar e realizar neste mundo. A paz precisa ser construída e os principais artífices da paz devem ser as lideranças para as quais o tema da Paz representa um ideal de vida. É uma idéia feliz o fato da CF deste ano ser ecumênica, porque estabelece a solidariedade já na própria origem da Campanha e procura irmanar todos os que acreditam na vida e na mensagem salvífica de Jesus Cristo.

A Campanha se estende a todas as pessoas de boa vontade e inaugura um verdadeiro “mutirão pela paz”, cuja raiz é a solidariedade, isto é, a estima, respeito e partilha mútua, como prova de uma nova atitude entre grupos, povos e raças. Na base da solidariedade está, portanto, o plano divino que nos constitui filhos e filhas criados por amor e destinados a formar uma grande família humana. Há duas atitudes fundamentais que hão de concretizar a solidariedade cristã. A primeira é o diálogo, a vivência da acolhida e da escuta, cada um desejoso de dar testemunho de sua identidade e de ofertar aos demais.

Para que este diálogo se realize é indispensável vencer distâncias e ressentimentos e querer, realmente, promover o bem do próximo. A outra atitude é igualmente importante: a partilha do que somos e temos, na certeza de que a solidariedade se verifica em gestos concretos e generosos. A paz é fruto da justiça, exatamente porque requer que a ninguém falte o necessário à própria dignidade e todos tenham as condições de vida e desenvolvimento como compete a filhos de Deus. Contemplando Jesus Cristo que veio trazer ao mundo a paz e a vida plena, sintamo-nos todos convocados para que esta Campanha da Fraternidade faça crescer entre nós a estima, a concórdia e a paz de Deus. É a hora e a vez do compromisso das lideranças.

Dom Luciano Mendes de Almeida
Arcebispo de Mariana - MG
dluciano@feop.com.br

PARA REFLETIR

1. Você vê solução para as guerras que estão acontecendo em diversos países do mundo? Qual?
2. Em quais bases construir a paz?
3. Por que Jesus é chamado de “príncipe da paz”? Pesquise (Jo 14, 27), (Jo 16,33); (At 10, 36); (Col 1, 20); (Is 9, 5-6).
4. Que tipo de manifestação seu grupo, escola... poderia realizar? (veja proposta do MJ)

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