Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Atualidades - África

Etiópia: fome de pão e de escola

DADOS:

Capital: Adis Abeba
Localização: leste da África
População: 61 milhões
Religião: cristianismo (57%, dos quais 52% são ortodo-xos); muçulmanos (31,4%); religiões tradicionais (11,4%).
Expectativa de vida: 42 – homens / 44 – mulheres
Analfabetismo: 65%
Renda anual per capita: 110 U$

 

José Giovanetti, missionário na Etiópia, nos fala da triste situação das crianças deste país.
Sem comida e uma boa escola não podem sonhar com um futuro melhor.

ALGO IMPRESSIONANTE

Tenho um grande prazer de poder partilhar com vocês um pouco da minha experiência missionária na Etiópia. Vivo aqui há muitos anos e quero continuar a gastar as minhas forças em favor deste povo.

A Etiópia teve a monarquia mais antiga da África, mas pode considerar-se um país novo pois, desde 1991, se dividiu em diversos estados que formam a “federação democrática popular da Etiópia”. Além disso, passou-se a autorizar oficialmente as línguas próprias de cada etnia. Isto beneficia as camadas mais jovens da população, que ouvem os professores falarem na língua de seus próprios pais.

É impressionante ver o número de crianças, adolescentes e jovens freqüentando a escola: uma verdadeira avalanche humana cheia de vida e ânsia de futuro, mesmo que não haja livros e salas para todos com carteiras, quadros e giz. Ainda que haja professores com 250 alunos, o importante é ir à escola!

Quando um dia observei que assim era impossível, ouvi das autoridades locais a seguinte resposta: “Dêem aulas, mesmo que seja debaixo das árvores. O que interessa é que dêem aulas!”. Que grande lição a gente aprende ao ouvir expressões como estas! Por um lado a ânsia de aprender, do outro lado o desejo de ensinar.

DESEJO DE LIBERDADE

Os alunos, sobretudo nas aldeias, não têm mochilas, farda, sapatos, e nem cadernos: o único material escolar que levam é, no máximo, uma caneta, um lápis, geralmente quase gasto, um pedaço de papel e uma borracha. Com este material na mão correm todas as manhãs para a “escola”, felizes por poderem aprender a ler, a escrever e a contar.

O que ainda mais me admira é o fato de que a maioria dos alunos vai para a escola sem ter feito uma refeição. A pobreza de suas famílias não lhes permite o luxo de comer mais que uma refeição por dia. E isto na melhor das hipóteses, porque, não raramente, pode acontecer que tenham de ir dormir sem comer nada. Mas, felizmente, há uma outra fome que os devora: é a fome de aprender e de saber para poder sonhar com uma vida melhor. Lá no fundo, trata-se de um grande desejo de se libertar de tantos limites e escravidões. É a fome de liberdade, direito ao qual todo ser humano não quer renunciar.

RECURSOS ESCASSOS

Nós sentimos isso e fazemos todo o possível para os ajudar, pois estamos convencidos de que, neste país, o trabalho de promoção humana, através da saúde e do ensino, é a melhor possibilidade de que dispomos para exercer o nosso apostolado.

A missão católica de Gambo, onde realizo meu trabalho, é muito conhecida pelo seu eficiente hospital rural e pelo centro para leprosos. A missão possui também uma escola (até a 8ª série), freqüentada por 1.500 alunos. Outras escolas da missão, de bom nível, ficam espalhadas pelos montes e no planalto de Kalo. Tudo isso exige muitos sacrifícios e grandes despesas. Nós bem gostaríamos de apoiar mais concretamente alguns destes estudantes, para que possam continuar seus estudos até chegar à universidade. Mas isto só é possível com a ajuda de benfeitores, visto que não se pode contar com as famílias dos jovens que vivem na miséria.

Pe. José Giovanetti

PARA REFLETIR

1. O que você achou do depoimento do Pe. José Giovanetti?

2. Por que é tão importante os missionário atuarem na área educacional?

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar