Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Atualidades - África

Um país estilhaçado

á mais de 20 anos consecutivos o Sudão, maior país da África, sofre com guerras internas, sendo que nos últimos anos o massacre beira a um genocídio.

A população de Darfur, uma província sudanesa, vem enfrentando uma forte onda de violência e terror que resultou numa quantidade enorme de mortes e forçou mais de 1,5 milhões de pessoas a fugirem dos seus vilarejos destruídos em busca de segurança.

Uma esperança para o povo sudanês está sendo a ajuda humanitária que vive sob constante insegurança, como a organização Médicos Sem Fronteiras, que conta com 200 profissionais estrangeiros e 2.000 profissionais locais trabalhando em toda a região de Darfur.

RAZÃO DO CONFLITO

Uma das razões deste conflito é a falta de água. Darfur é habitada ao Norte por tribos arabizadas que vivem dos seus camelos e vacas, ao passo que a população do sul é essencialmente de agricultores fixados em terras mais férteis.

Em busca de água e pasto para seus animais, os nômades começaram a invadir as terras férteis, resultando num conflito sem precedentes, pois a milícia Janjaweed (“Guerreiros sobre cavalos”) avança sobre as vilas dos agricultores matando e expulsando, e tudo isso com simpatia do governo sudanês. Um outro motivo que esquentou esta guerra foi o fato do Sudão ter entrado no grupo dos exportadores de petróleo a mais ou menos cinco anos. Tudo isso e também as diferenças religiosas, são os estopins desta guerra sem solução rápida.

TESTEMUNHO DE MAGOK

Para compreender em toda a sua extensão a tragédia do Sudão, não basta falar em conflito Norte e Sul ou em milhões de mortos e deslocados. O testemunho de um jovem sudanês que viveu a repressão, foi torturado e viu seu povo ser abatido e expulso de suas terras, é a melhor forma de mostrar o que o mundo está assistindo de braços cruzados:

“As causas da prolongada guerra civil que dilacera o Sudão, há quase meio século, são variadas e complexas, mas em larga medida têm a ver com os planos hegemônicos do Norte. Desde a independência, em 1.º de Janeiro de 1956, os sucessivos governos árabes e muçulmanos com sede em Cartum insistem em forçar o Sul e a população dos Montes Nubas a entrar no redil árabe e muçulmano. Entre os métodos usados contam-se a escravatura, a arabização forçada, a limpeza étnica, os bombardeamentos aéreos e a fome.

O Governo Islâmico Nacional chegou ao ponto de declarar a jihad, a guerra santa islâmica, contra os povos do Sul e dos Montes Nubas, considerados infiéis. O que pressupõe a sua assimilação ou eliminação. Os povos ameaçados resistiram e pegaram em armas. Resultado: em 48 anos de guerra, o Sul perdeu mais de dois milhões de pessoas; quatro milhões são deslocados internos; meio milhão estão refugiados nos países vizinhos e no estrangeiro. Como conseqüência, a estrutura socioeconômica rudimentar do Sul foi totalmente destruída. Escolas, centros de saúde e sistemas de transporte quase não existem.

ESCRAVATURA COMO ARMA

O Governo do Sudão usa a escravatura e o comércio de escravos como arma de guerra para aterrorizar e subjugar as populações do Sul e dos Montes Nubas. Não há dúvida: a escravatura ocupa um lugar de primeiro plano nos planos de genocídio do regime fundamentalista islâmico liderado pelo general Omer Hassan el-Bashir.

As crianças e as mulheres jovens, depois de capturadas, são vendidas como escravas no Norte e noutros países árabes do Médio Oriente, onde são usadas como empregados domésticos, pastores, trabalhadores agrícolas ou concubinas.

PETRÓLEO DE SANGUE

Com uma produção de cerca de 300 mil barris de petróleo por dia, estima-se que o Governo tenha arrecadado 700 milhões de dólares entre 2000 e 2002. Esta incalculável riqueza mudou radicalmente a natureza da guerra no Sudão, reforçando o poder do regime islâmico do Norte e permitindo-lhe esquivar-se das negociações de paz, na presunção de que uma vitória militar sobre os “rebeldes” do Sul e outros grupos de oposição está finalmente ao seu alcance.

A descoberta do petróleo já provocou deslocamentos maciços forçados de civis sul-sudaneses que viviam nas proximidades dos campos petrolíferos e do oleoduto. Nestas zonas, graves atentados aos direitos humanos tornaram-se uma realidade quotidiana. Não é por acaso que o Governo sudanês impede as organizações humanitárias de trabalhar nestas áreas.

BOMBAS E FOME CALCULADA

Um dos sinais da intensificação da guerra é o bombardeamento aéreo de objetivos civis como hospitais, escolas, igrejas, mercados, campos derefugiados e centros de distribuição de bens de


Presidente sudanês
Omar El Bashir

primeira necessidade. Os alvos, porém, não são só os cidadãos sudaneses sulistas, mas também as agências de ajuda humanitária têm sido bombardeadas.

O Governo sudanês é bastante conhecido por provocar “fome calculada” nas populações que pretende subjugar. Ele usa os alimentos como meio para atrair os cristãos do Sul do Sudão aos chamados campos de paz, que estão situados no deserto. Estes campos fazem lembrar os campos de concentração nazistas”. (Magok Gou Riak)

Médicos Sem Fronteiras

A organização “Médicos Sem Fronteiras” foi criada em 1971 por um grupo de jovens médicos e jornalistas que, em sua maioria, tinham trabalhado como voluntários em Biafra, região da Nigéria, que, no final dos anos 60, estava sendo destruída por uma guerra civil brutal.

Enquanto trabalhavam para socorrer as vítimas do conflito, eles perceberam que as limitações da ajuda humanitária internacional da época eram fatais. Em 1971, o sentimento de frustração desse grupo e a vontade de ajudar às populações mais necessitadas de modo rápido e eficiente deram origem a Médicos Sem Fronteiras.

A organização surgiu com o objetivo de levar cuidados de saúde para quem mais precisa, independentemente de interesses políticos, raça, credo ou nacionalidade.

Em Darfur, MSF realizam consultas médicas, tratam vítimas da violência, cuidam das crianças gravemente desnutridas, melhoram as condições de água e saneamento e oferecem cobertores e outros itens essenciais para mais de 700 mil pessoas deslocadas.

www.msf.org.br

PARA REFLETIR

1. O que você já conhecia sobre este conflito?
2. O que torna difícil uma intervenção internacional?
3. Há sinais de esperança para o fim deste impiedoso massacre?

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