Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Teologia - Deus Trindade

A revelação do Deus - Trindade no antigo testamento

DEUS COMUNHÃO

Se Deus é comunhão, quando ele se revela aos israelitas, se revela como comunhão. Eles é que não tinham condições espirituais e intelectuais de captarem a tripersonalidade de Deus. Já era muito para eles entenderem que Deus é um só.

No meio de povos politeístas, que reconheciam e adoravam diversos deuses (de ambos os sexos, para diversas situações...), os hebreus deram dois passos importantes.

O henoteísmo, isto é, o reconhecimento de que o seu Deus, Javé, é maior que os deuses dos povos estrangeiros, superior a todos os deuses (Dt 10, 17; 1Cr 16,25).

O monoteísmo, isto é, o reconhecimento de que Javé é o único Deus e que os deuses estrangeiros não existem, são ídolos que não falam, nem ouvem, nem se comunicam. Eles são nada, só aparência, não existem, e deles é preciso afastar-se (1Cr 16,26; Sl 96,5; 115,4-8; Is 2,18).

DEUS É UM SÓ

Foi, portanto, um grande avanço, os judeus conseguirem captar a revelação de que Deus é um só. A esse Deus é preciso amar de todo o coração e com toda a inteligência, dedicando toda a vida pessoal e coletiva (Dt 10,12). Escutar-lhe a palavra e obedecer à sua vontade, é o caminho da verdadeira vida (Dt 10,13).

A descoberta da unicidade e da unidade de Deus foi a grande experiência, ao mesmo tempo mística e política, do povo de Israel. O judaísmo se baseia na radicalidade dessa fé. Trata-se do monoteísmo javista, próprio do povo judeu, em que também nós cristãos nos baseamos para fundar nossa fé em um só Deus, Criador e Senhor de todas as coisas.

Bom e piedoso judeu, Jesus nos ensinou que o mandamento dos israelitas - o amor a Deus e, correspondentemente, o amor ao próximo -, vale também para os seus discípulos, é a lei dos seus seguidores (Mt 22,34-40).

TRIPERSONALIDADE?

Por causa da radicalidade da fé monoteísta, pensar uma tripersonalidade em Deus era, para os judeus, algo impensável. Mas, se Deus é comunhão de três pessoas distintas, foi assim que ele se revelou também aos israelitas.

Hoje, à luz da fé monoteísta-trinitária, nós cristãos podemos vislumbrar, na revelação do Antigo Testamento, sinais da manifestação da tripersonalidade de Deus.

Ao lermos os escritos da Primeira Aliança, ficam algumas perguntas, que nós cristãos poderíamos responder no sentido de uma preparação para a revelação trinitária.

Alguns exemplos:

• Quem era o anjo de Javé (Gn 16,7-12; 31,11-13; Ex 3,2-4; 14,19; 1Rs 19,5-7; 2Rs 1,3s), que acompanha o povo, ajuda os oprimidos, manifesta a sabedoria de Deus, às vezes distinto, às vezes idêntico a Deus?

• Quem eram os três homens/anjos (Gn 18) que aparecem a Abraão em Mambré, às vezes apresentados no singular, às vezes no plural, às vezes identificados com Javé, às vezes distintos?

• Quem era a Sabedoria (Pr 1,20-33; 8,1—9,6; Jó 28,12-28; Eclo 24; Sb 6,12—8,1), que grita nas praças, com uma existência quase autônoma com relação a Javé, co-ajudante na criação do mundo?

• Quem era a Palavra (Sl 119,89; 147,15s; Sb 16,12), por meio de quem Deus cria tudo e se manifesta em meio aos seres humanos?

• Quem era o Espírito (sopro, vento) (Is 4,4-6; 42,1-4; 61,1-3; Ez 11,19; 18,31; 36,26-27; 37,1-14), por meio de quem Deus cria o mundo, escolhe os líderes políticos e os profetas, se apossará do Messias anunciado e renovará os corações e toda a criação?

Mesmo que não possamos responder diretamente, afirmando ser uma ou outra das três pessoas divinas, entendemos que são sinais que apontam para a revelação do Deus-Trindade.

Pe. Vitor G. Feller

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