Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Catequese "MISSÃO JOVEM"

Bíblia - Evangelho de Lucas

A TERCEIRA VIAGEM
MISSIONÁRIA:
CONHECER E SEGUIR O CAMINHO DE JESUS

O missionário Lucas conversando a respeito do livro dos Atos dos Apóstolos (9ª parte)

Irmãos e irmãs de caminhada!

Nós optamos pelo Caminho de Jesus. Temos a certeza de que o seu Reino de Amor e Justiça vai acontecendo, pouco a pouco, através da contribuição de cada um de nós. Nossos irmãos e irmãs das primeiras comunidades cristãs nos deixaram o seu testemunho de vida engajada na transformação do mundo, através do trabalho de evangelização. Começando em Jerusalém, a Boa Notícia de Jesus Cristo vai se espalhando pelo mundo afora. Há muita gente empenhada nesta missão. Viagens, encontros, orações, pregações, assembléias, celebrações e muito diálogo são os meios para uma catequese eficiente. Tudo isto no meio de muitos conflitos. O Espírito Santo está no meio de nós, com força total, nos enchendo de coragem. A missão tem que continuar até chegar aos “confins do mundo”. Hoje vamos acompanhar a terceira viagem missionária realizada por Paulo e sua equipe. Vocês podem conferir lendo agora o texto de Atos 18,18-21,16. Este texto refere-se à 3a viagem missionária de Paulo e sua equipe.

CONHECER E SEGUIR O CAMINHO DE JESUS (18,18-19,10)

No final da segunda viagem missionária, Paulo se dirige a Antioquia da Síria. Em Cencréia (é um porto da cidade de Corinto), Paulo havia feito uma promessa, raspando a cabeça. Trata-se de um ritual judaico, chamado voto de nazireato, em que a pessoa deixava o cabelo crescer até conseguir a realização do pedido. Depois, podia cortar novamente o cabelo (veja no livro de Números 6,1). Não sabemos qual teria sido o pedido de Paulo. Trata-se, sem dúvida, de uma intenção de muita importância para a sua vida.

Em sua viagem de volta, Paulo leva consigo o casal Priscila e Áquila. Foi na casa deles, em Corinto, que Paulo se hospedou durante um bom tempo. Agora, provavelmente eles estão se mudando para Éfeso. Lá eles ajudam a catequizar Apolo, pois em suas pregações demonstra que não conhece direito o Caminho de Jesus. Ele é um bom orador e precisa aprender a usar este dom que Deus lhe deu para levar as pessoas ao conhecimento e ao seguimento de Jesus Cristo. E, realmente, ele vai ser um ótimo evangelizador não só em Éfeso, mas também em Corinto e em toda a região da Acaia.

Em Éfeso, Paulo vai ficar durante dois anos, pregando e incentivando os discípulos e discípulas de Jesus. Ali já existe uma comunidade de discípulos de João Batista. Parece que também eles não conhecem direito o Caminho de Jesus. Por isso, são batizados no Espírito Santo. Tornam-se seguidores de Jesus Cristo. Acontece aí um novo Pentecostes, como aquele de Jerusalém. Puseram-se a falar em línguas e a profetizar. São dons do Espírito Santo em vista do testemunho e da pregação do Evangelho. Ao todo são 12 discípulos. Faz lembrar os 12 apóstolos. O número “doze” é número completo, indica plenitude. Representa, portanto, todos os homens e mulheres que querem apostar sua vida no seguimento de Jesus Cristo.

Paulo continua sua missão pregando na sinagoga. Não é aceito. Diante da rejeição de sua mensagem, ele rompe com o judaísmo e vai dedicar o seu tempo com um grupo de discípulos na escola de um tal de Tiranos. É o mesmo método usado pelo Mestre Jesus, que se dedicou especialmente na formação de um grupo de pessoas.

O nome de Jesus usado para enganar o povo (19,11-19)

Toda pessoa que age em nome de Jesus realiza ações em favor da vida das pessoas necessitadas. Porém, há pessoas que usam o nome de Jesus com interesses próprios. É o que acontece em Éfeso. Alguns homens judeus querem imitar a Paulo e tentam fazer magias “em nome de Jesus”. Estes homens são os sete filhos de um tal de Cevas, que tinha o cargo de sumo sacerdote. Novamente, aparece um número perfeito: sete. Certamente, representa todas as pessoas que se deixam levar pelas más intenções dos que se consideram importantes. São impostores e enganadores do povo. Falam em nome de Deus, mas, não seguem a sua vontade. Se apresentam usando o prestígio de outros. Estas pessoas precisam ser desmascaradas para que mudem de comportamento. Este é o objetivo desta história que é baseada em contos populares conhecidos pelo povo. Por causa de suas más intenções tornam-se vítimas dos próprios demônios que elas tentam expulsar da vida das outras pessoas. Queremos também, com isso, chamar a atenção dos participantes das comunidades para que não se deixem ludibriar por falsos benfeitores e nem se enganem com efeitos das magias ou outras práticas alienantes. Uma religião verdadeira supõe boa consciência e discernimento dos seus participantes.

Não se pode servir a dois senhores (19,20-40)

E assim a palavra do Senhor crescia e se firmava sempre mais. Paulo quer passar pela região da Macedônia e da Acaia. Não pode, porém, ir pessoalmente em todos os lugares. Então, envia para lá dois de seus compa-nheiros de missão: Timóteo e Erasto. O grande desejo de Paulo é chegar até Roma. Sendo o centro do Império, é o lugar considerado “os extremos da terra” ou “os confins do mundo”. Se a Palavra de Deus for acolhida em Roma, significa que todo o Império será evangelizado. A proposta de Jesus Cristo poderá, então, ser difundida por todo o mundo com mais facilidade e rapidez. Por isso, Paulo tem pressa de chegar até lá.

Ainda em Éfeso acontece um outro incidente. Desta vez é com um grupo de ourives. Na cidade de Éfeso é famoso o templo dedicado à deusa Diana ou Ártemis. Sua estátua é representada com a lua sobre a cabeça e o corpo cheio de seios: é a deusa protetora da vida e da fecundidade. O templo era majestoso, medindo 130 metros de comprimento por 70 metros de altura. Um lugar assim torna-se centro de peregrinação e de turismo. Conseqüentemente torna-se uma fonte de lucro para o comércio da cidade.

A comunidade cristã tem outra visão a respeito dos deuses e deusas com os seus templos. A adesão ao Caminho de Jesus leva ao discernimento do que é verdadeiro e do que é montagem segundo os interesses de grupos. Os ourives e artesãos vivem da fabricação de estátuas, altares e outros objetos considerados sagrados. Os cristãos não aderem aos negócios destes grupos. E pregam que Jesus Cristo é o único Senhor e Deus. Isto desagrada profundamente os ourives que, através de seu líder Demétrio, incitam o povo contra Paulo e dois de seus companheiros: Gaio e Aristarco. O conflito toma proporções graves. Eles quase foram linchados, se não fosse a intervenção do escrivão da cidade que chama a atenção que aquela não é uma assembléia conforme pede a lei. E, por isso, podia atrair a repressão das autoridades. Isto ajudou para que o tumulto se dissolvesse.

Este episódio revela que o Caminho do seguimento de Jesus se confronta com a idolatria do capital. “Não se pode servir a Deus e ao dinheiro”, disse Jesus em seu Evangelho (Mt 6,24). Não se pode, em nome do sagrado, explorar o povo e manter a sua consciência dependente de quem explora. As comunidades cristãs procuram viver o ideal da fraternidade e da partilha, onde ninguém deve passar necessidades. Esta foi uma das principais heranças deixadas por Jesus. Com efeito, o lucro tira do povo os bens necessários para sua vida digna e os concentra nas mãos dos “vivaldinos”. Pouco importa se isto é feito em nome de Ártemis ou de qualquer outra imagem religiosa. O que não se pode admitir é a manipulação da boa fé do povo. As aparências religiosas, muitas vezes, podem encobrir muitas injustiças.

Evangelizar em equipe para que todos tenham vida (20,1-21,16)

Depois do conflito com os ourives de Éfeso, Paulo decide voltar a Jerusalém. Passa pelas comunidades da Macedônia e vai para Corinto, onde permanece três meses. Como de costume, Paulo encoraja as comunidades a permanecerem firmes no Caminho de Jesus e a não se deixarem abater pelas dificuldades.

Vemos vários companheiros de viagem de Paulo: Sópatro, Aristarco, Segundo, Gaio, Timóteo, Tíquico e Trófimo. Eles são de lugares diferentes, mas formam um grupo bem unido ao redor da Causa do Evangelho de Jesus. Trabalhar em equipe é a melhor forma de evangelização. A gente se ajuda, se corrige, se apoia, se fortalece... É muito bom ter a certeza de não estar só e contar com a força da amizade sincera.

Passando em Trôade, Paulo participa de uma celebração na comunidade, no primeiro dia da semana, o Domingo. Trata-se certamente da celebração da Eucaristia onde se realizava a fração do pão e a pregação da Palavra. O lugar em que estão reunidos é na “sala superior”: faz lembrar o espaço onde Jesus celebrou sua última ceia. Um jovem, chamado Êutico, tomado pelo sono caiu do parapeito da janela. É uma queda de três andares. Ao levantá-lo, percebem que não respira mais. Paulo desce e toma-o nos braços. O jovem recupera a vida, para alegria de todos. Com isso, estamos anunciando o poder de Jesus que se prolonga através dos seus discípulos. Ele não quer a morte e sim a vida e vida em plenitude.

Paulo se despede dos anciãos (animadores) da comunidade de Éfeso. Há muita emoção nesta despedida, pois Paulo não mais voltará. Ele deixa seus últimos conselhos e parte em direção de Jerusalém. Vai começar a “paixão de Paulo”. É assunto para o nosso próximo encontro.

Pe. Celso Loraschi

PARA CONVERSAR

1.º Na terceira viagem missionária percebemos dois grandes conflitos:
1.º) 19,11-17; 2.º) 19,23-40. O que estes conflitos significam para nós hoje?

2.º Que outros pontos nos chamaram a atenção?

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